Tiny Eden é um refúgio aconchegante que floresce devagar demais

Tiny Eden é um refúgio aconchegante que floresce devagar demais
Foto: Bajka Games

Existem jogos que querem prender o jogador pela ação, pelo desafio ou por uma sucessão constante de recompensas. Tiny Eden segue justamente pelo caminho contrário. Desenvolvido pela Bajka Games e publicado pela Digital Vortex Entertainment, o jogo aposta em uma experiência tranquila de jardinagem, decoração e pequenas tarefas cotidianas dentro de um apartamento.

A proposta acontece em um futuro próximo no qual as abelhas desapareceram, afetando profundamente o equilíbrio do planeta. É nesse cenário que assumimos o papel de uma antiga botânica que se muda para um prédio residencial e começa, quase literalmente, a reconstruir sua relação com a natureza a partir de uma pequena varanda.

O conceito é simples, mas funciona.

No começo, o espaço disponível é bastante limitado. Algumas sementes, poucos recursos e uma varanda são praticamente tudo o que temos. A partir daí, começamos a cultivar diferentes plantas, vender nossa produção, atender pedidos dos moradores e utilizar o dinheiro conquistado para melhorar tanto o apartamento quanto as áreas comuns do edifício.

É uma progressão que combina muito bem com a proposta de um jogo cozy.

Um jardim que exige paciência

TIny Eden não é uma experiência para quem procura recompensas imediatas. As plantas precisam de tempo para crescer, e cuidar delas envolve observar suas necessidades ao longo das diferentes estações. Temperatura, iluminação, água e idade das plantas passam a fazer parte da rotina. Uma espécie que prospera em determinada época pode sofrer quando o clima muda, obrigando o jogador a reorganizar o espaço e prestar mais atenção às condições do ambiente.

O problema é que essa característica, que inicialmente ajuda a criar uma sensação de rotina, também acaba prejudicando o ritmo.Há momentos em que simplesmente não existe muita coisa interessante para fazer. Você cuida das plantas, verifica os pedidos disponíveis, realiza algumas tarefas e… espera.

Essa espera combina com a filosofia de Tiny Eden, mas nem sempre com a diversão.

Cada dia dentro do jogo representa um mês, e um ciclo completo pode exigir bastante tempo. Como consequência, algumas metas parecem mais distantes do que deveriam. O jogo quer que o jogador desacelere, mas às vezes essa lentidão deixa de ser relaxante e passa a ser cansativa.

Pouca complexidade, muita repetição

As atividades são deliberadamente simples.

Cuidar das plantas envolve ações bastante diretas, enquanto outras tarefas utilizam pequenas mecânicas baseadas em barras e comandos simples. Também existem atividades como remover ervas daninhas, produzir compostagem, cozinhar e preparar encomendas. Nada disso é particularmente difícil. Na verdade, essa simplicidade é uma das maiores qualidades e, ao mesmo tempo, uma das maiores limitações do jogo.

TIny Eden funciona muito bem como aquela experiência que você abre enquanto escuta um podcast, assiste a alguma coisa ou simplesmente quer passar alguns minutos fazendo tarefas tranquilas. Não existe uma grande pressão para dominar sistemas complicados. Por outro lado, depois de várias horas, a falta de variedade começa a ficar evidente.

Seria interessante encontrar mais maneiras de interagir com as plantas, personalizar a produção ou desenvolver o apartamento. O jogo possui uma boa fundação, mas nem sempre aproveita todo o potencial de suas próprias ideias.

A progressão é o maior problema

Se existe um aspecto que mais prejudica Tiny Eden, é a velocidade com que seu conteúdo é liberado.

As lojas do prédio são importantes para a evolução. Ao atender pedidos e aumentar sua reputação com os comerciantes, novos recursos ficam disponíveis e, consequentemente, novas possibilidades de progressão aparecem. A ideia funciona no papel. Na prática, porém, algumas dessas exigências podem transformar uma atividade prazerosa em uma longa rotina de repetição.

O jogador precisa investir bastante tempo para aumentar a reputação e alcançar determinados níveis. Isso faz com que algumas áreas e funcionalidades pareçam estar muito mais distantes do que deveriam. A sensação é estranha: Tiny Eden possui bastante conteúdo para oferecer, mas segura boa parte dele atrás de uma progressão extremamente paciente. Para quem gosta de jogos que recompensam lentamente, isso pode ser positivo. Para quem espera desbloqueios mais frequentes, pode acabar sendo frustrante.

O prédio é quase um personagem

Um dos elementos mais interessantes é perceber que a evolução não acontece apenas dentro do apartamento.

Os lucros obtidos com a jardinagem ajudam a transformar outras partes do prédio, criando uma sensação agradável de comunidade. Aos poucos, aquele ambiente inicialmente simples começa a ganhar novos espaços, serviços e possibilidades. É aqui que Tiny Eden consegue transmitir melhor sua fantasia.

Você não está simplesmente cultivando plantas para acumular dinheiro. Está usando aquilo que produz para melhorar o lugar onde vive. A decoração também contribui bastante para isso. Existe uma satisfação genuína em olhar para o apartamento depois de algumas horas e perceber o quanto ele mudou desde o início.

Um jogo para voltar de tempos em tempos

Apesar das críticas, existe algo curioso em Tiny Eden: mesmo quando eu sentia que o jogo estava demorando demais para liberar alguma coisa, ainda encontrava motivos para voltar. Essa é provavelmente a maior força da experiência. Ele não exige que você passe horas seguidas jogando. É possível entrar, cuidar das plantas, cumprir algumas encomendas, reorganizar um cômodo e simplesmente sair.

Depois, algumas horas mais tarde, surge aquela vontade de voltar para verificar como está o jardim. Essa estrutura lembra a filosofia de outros grandes títulos cozy, nos quais parte da diversão está justamente em acompanhar pequenas mudanças ao longo do tempo. Não há necessidade de transformar cada sessão em uma grande aventura.

Problemas técnicos atrapalham a experiência

Infelizmente, Tiny Eden também apresenta problemas que vão além de escolhas de design.

Durante a experiência com a versão analisada, alguns bugs afetaram diretamente a progressão. Em determinado momento, um problema chegou a comprometer o save, algo especialmente frustrante em um jogo que exige tantas horas para desbloquear novos conteúdos.

Também existem situações em que determinadas funcionalidades parecem surgir antes de outras que fariam mais sentido dentro da progressão natural. Isso transmite uma sensação de falta de organização.

É importante destacar que parte desses problemas pode estar relacionada à versão disponibilizada para análise e que atualizações podem corrigir essas questões. Ainda assim, quando um jogo depende tanto de progressão lenta, qualquer problema que coloque o save em risco se torna particularmente grave.

Vale a pena?

TIny Eden tem uma proposta muito simpática e consegue entregar alguns dos momentos mais agradáveis justamente quando não tenta fazer muita coisa.

Cuidar das plantas, reorganizar o apartamento, preparar pedidos e observar o prédio se transformar pode ser extremamente relaxante. A atmosfera é aconchegante e existe uma satisfação real em construir seu pequeno espaço verde em um mundo que perdeu algo tão importante quanto as abelhas. O problema está no ritmo.

A progressão demora demais em determinados momentos, algumas atividades são excessivamente repetitivas e a quantidade de espera pode fazer a experiência parecer mais lenta do que relaxante. Os problemas técnicos encontrados durante a análise também pesam contra o resultado. Ainda assim, existe um bom jogo aqui.

TIny Eden funciona melhor para quem gosta de experiências tranquilas, progressão gradual e jogos que podem ser jogados aos poucos. Não é uma aventura cheia de acontecimentos, e talvez nunca tenha sido essa a intenção.

É mais parecido com cuidar de um pequeno jardim: você planta, espera, cuida, colhe e volta no dia seguinte. E, quando tudo funciona bem, existe algo genuinamente prazeroso nisso.

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