Sweetpea transforma uma serial killer improvável em um thriller viciante

Sweetpea transforma uma serial killer improvável em um thriller viciante
Foto: Prime Video

Depois de conquistar o público em Fallout e Yellowjackets, Ella Purnell encontra em Sweetpea o papel mais complexo de sua carreira. A série adapta o romance de C. J. Skuse e entrega um thriller psicológico que mistura assassinatos, humor negro e uma protagonista impossível de ignorar.

A premissa lembra inevitavelmente You. Assim como Joe Goldberg, Rhiannon Lewis compartilha com o público pensamentos que dificilmente teria coragem de revelar para qualquer outra pessoa. A diferença é que Sweetpea troca a obsessão romântica por algo ainda mais humano: anos de humilhações, ressentimentos e a sensação constante de ser invisível.

Ella Purnell carrega a série nas costas

Grande parte do sucesso da produção passa pela atuação de Ella Purnell.

Rhiannon é uma personagem difícil de equilibrar. Ela é engraçada, insegura, cruel, vulnerável e completamente imprevisível. Em uma cena, desperta empatia. Na seguinte, provoca desconforto. E é justamente essa mistura que torna a personagem fascinante.

Purnell consegue navegar por todas essas camadas sem perder a humanidade da protagonista, mesmo quando suas escolhas se tornam cada vez mais questionáveis.

Humor ácido e violência caminham juntos

Embora seja vendida como thriller, Sweetpea funciona quase como uma sátira social.

A série encontra humor em situações desconfortáveis e transforma pequenas frustrações do cotidiano em gatilhos para uma espiral de violência. O resultado é uma narrativa que alterna momentos genuinamente engraçados com cenas que deixam o espectador sem saber se deve rir ou se preocupar.

Essa combinação de humor ácido e assassinatos faz a produção se destacar entre os inúmeros thrillers psicológicos lançados nos últimos anos.

Um elenco que ajuda a construir o caos

Além de Ella Purnell, o elenco oferece bons contrapontos para a protagonista.

Calam Lynch interpreta AJ, uma das figuras mais importantes na vida de Rhiannon, enquanto Nicôle Lecky vive Julia, personagem fundamental para os traumas e inseguranças que acompanham a protagonista desde a juventude.

Nomes como Leah Harvey, Jon Pointing e Jeremy Swift ajudam a compor um universo onde quase todo mundo parece esconder alguma coisa.

Para quem gostou de You

A comparação com You é inevitável, mas Sweetpea possui personalidade própria.

A série está menos interessada em romances obsessivos e mais focada em discutir invisibilidade social, autoestima, bullying e a raiva acumulada por anos de frustrações. O suspense existe, mas o grande atrativo é acompanhar a transformação de Rhiannon enquanto ela perde cada vez mais o controle sobre sua própria vida.

Vale a pena?

Sweetpea é um thriller psicológico afiado, divertido e desconfortável na medida certa. A série encontra equilíbrio entre suspense, humor negro e drama pessoal, criando uma protagonista tão problemática quanto fascinante.

Com uma atuação excelente de Ella Purnell e uma narrativa que prende do começo ao fim, a produção se torna uma recomendação fácil para quem gostou de You e procura uma nova anti-heroína para acompanhar.

Rhiannon Lewis certamente não é uma boa pessoa. Mas é impossível tirar os olhos dela.

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