A escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana, Marjane Satrapi, morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. A artista deixa um legado de luta e ativismo pelos direitos das mulheres iranianas, temática central de sua principal obra: a grafic novel Persépolis.
Em um contexto geral, em 1979, quando a Marjane tinha apenas 10 anos de idade, ocorre a queda do regime autoritário do Xá Reza Pahlevi. Este, fortemente apoiado pelo governo americano, teve como sucessor o Aiatolá Ruhollah Khomeini, que instituiu uma república teocrática no Irã.
A instituição do governo do Aiatolá concretizou o controle do país por leis baseadas em textos tidos como sagrados, nesse caso, o Alcorão. Assim, o livro, que foi adaptado para os cinemas em 2007, nos mostra os impactos dessa transformação que trouxe medidas que cerceiam as liberdades individuais, principalmente das mulheres.
A principal característica do governo era o anti ocidentalismo. Dessa forma, toda a cultura dos anos 1980, dentre filmes, músicas, marcas e mais, passaram a ser banidos em território iraniano. Assim vemos a jovem Marjane, que lutava para desenvolver sua personalidade, recorrendo ao contrabando para adquirir fitas de música, roupas de marca e outros artigos que moldam nosso estilo de vida e nos parecem banais.
Ainda mais, o romance também aborda fortemente a obrigatoriedade do uso do véu, assunto que até hoje é foco de diversos debates. No livro, vemos o quão autoritária era a fiscalização por parte de entidades nas escolas, pela polícia e por entidades religiosas.
Legado e premiações
Persépolis se tornou uma obra cult e, mesmo sem ter este foco principal, apresenta um forte teor feminista. A obra mostra Marjane contestando as autoridades ao apontar como o autoritarismo afetava diretamente as mulheres, uma vez que não existiam restrições de vestimenta para os homens.

A animação baseada na graphic novel ganhou diversos prêmios, entre eles o Prêmio do Júri popular no Festival de Cannes, Melhor filme estrangeiro no Festival de São Paulo e ganhou uma indicação ao Oscar como melhor filme de animação.

