Aincrad, o primeiro arco de Sword Art Online, ressoa profundamente com os fãs de anime, e Sword Art Online: Echoes of Aincrad decide construir sua aventura nesse cenário icônico. No entanto, em vez de focar novamente em Kirito, o jogo inova ao apresentar um protagonista criado pelo jogador e um elenco totalmente novo. Essa abordagem funciona, expandindo o universo da obra sem depender excessivamente dos eventos do anime. Apesar de um começo promissor e um sistema de combate robusto, a jornada é atenuada por um mundo pouco inspirado e uma progressão que se arrasta.
Uma narrativa paralela em Aincrad
Nas primeiras horas, Echoes of Aincrad nos introduz a um grupo de novatos que se conhecem durante o período beta de Sword Art Online. Este prólogo serve como um tutorial inteligente, simulando a experiência de um MMORPG antes de seu lançamento oficial. Com o jogo “abrindo”, Akihiko Kayaba cumpre sua promessa, aprisionando milhares de jogadores em Aincrad e iniciando o mortal jogo da morte.
Diferente de simplesmente recontar a saga de Kirito, Echoes of Aincrad segue um caminho paralelo. O protagonista e seus aliados recebem broches misteriosos que revelam visões de um futuro catastrófico, desencadeando uma missão inédita que ocorre simultaneamente aos eventos conhecidos. Essa decisão confere uma identidade única ao jogo, complementando o universo do anime em vez de apenas repeti-lo.
Exploração limitada e cenários repetitivos
Embora o jogo apresente áreas consideravelmente extensas, a liberdade de exploração é severamente restrita. Os mapas funcionam como regiões isoladas, acessadas por meio de missões, cada uma com limites rígidos que impedem o avanço do jogador para fora da área permitida. Essa linearidade transforma a exploração em uma mera sequência de trilhas, com poucas descobertas significativas. Apesar da presença de baús escondidos e pequenos desafios opcionais, a sensação de desbravar uma fortaleza de cem andares se dissipa rapidamente.

A falta de variedade é outro ponto fraco. Durante a maior parte da campanha, os jogadores visitam apenas dois andares de Aincrad: o primeiro, com florestas e pântanos, e o segundo, um vasto deserto. Ambos transmitem uma sensação de vazio, com pouca vida fora das cidades e poucos elementos que despertem a curiosidade. A repetição de monstros, como lobos, javalis, ursos e trolls, com mínimas variações, e a reutilização de modelos de minibosses, tornam o caminho até o combate previsível, mesmo que as lutas continuem divertidas.
O combate: o grande destaque do jogo
O sistema de combate é, sem dúvida, o aspecto mais envolvente de Echoes of Aincrad. As batalhas em tempo real combinam ataques leves, pesados, esquivas e aparos. O diferencial reside na execução precisa das defesas: desviar ou bloquear no momento certo permite contra-ataques em conjunto com parceiros de equipe, quebrando a postura dos inimigos e abrindo espaço para combos devastadores. Essa mecânica recompensa a habilidade, incentivando uma abordagem mais estratégica.

A variedade de armas, desde espadas equilibradas e adagas rápidas até machados pesados, maças focadas em dano bruto e espadas de duas mãos com ataques poderosos, incentiva a experimentação e a criação de diferentes builds de personagem. As famosas Sword Skills do anime também desempenham um papel crucial, com técnicas especiais que consomem SP e oferecem efeitos diversos, como dano em área, sangramento, quebra de membros e arremessos. A limitação de três habilidades equipáveis por arma adiciona uma camada estratégica à montagem do personagem.
Progressão acessível e conteúdo pós-jogo
O sistema de progressão é intuitivo. Ao subir de nível, pontos podem ser alocados livremente entre atributos como força, defesa e velocidade, com um feedback visual imediato dos bônus. A ferraria se destaca pela possibilidade de desmontar equipamentos antigos para obter materiais e transferir habilidades passivas entre armas, permitindo a criação de equipamentos personalizados sem depender exclusivamente da sorte.

Após a conclusão da campanha principal, as Warped Dungeons são desbloqueadas. Essas masmorras geradas proceduralmente, com elementos roguelite, apresentam desafios significativamente maiores em busca de Key Stones, itens que fortalecem permanentemente os atributos do personagem. Este modo oferece um bom incentivo para continuar evoluindo, especialmente para aqueles que buscam enfrentar os chefes mais poderosos do pós-game.
Vale a pena?
Sword Art Online: Echoes of Aincrad prova que ainda há espaço para novas narrativas no universo de Reki Kawahara. A decisão de colocar Kirito em segundo plano funciona bem, permitindo que novos personagens brilhem e conferindo identidade à trama. Contudo, o mesmo cuidado não se estende à construção do mundo. A exploração limitada, cenários repetitivos e a constante repetição de inimigos prejudicam o ritmo da aventura.
Apesar dessas ressalvas, o excelente sistema de combate, a boa personalização de equipamentos e a progressão satisfatória mantêm o interesse até o final. Para fãs de Sword Art Online, é uma oportunidade interessante de revisitar Aincrad sob uma nova perspectiva. Para jogadores em busca de um RPG de ação capaz de competir com os grandes nomes do gênero, Echoes of Aincrad oferece diversão, mas dificilmente se destacará além disso.

