O cinema brasileiro alcançou um marco inédito na madrugada desta segunda-feira (12). O longa O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, venceu duas categorias no Globo de Ouro 2026, tornando-se o primeiro filme do Brasil a conquistar dois prêmios em uma mesma edição da premiação.
A produção levou os troféus de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura entrando para a história como o primeiro brasileiro a vencer a categoria de atuação dramática na cerimônia.
Ambientado nos anos 1970, em pleno período da ditadura militar, o filme acompanha um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho mais novo, mesmo ciente dos riscos políticos que cercam sua trajetória. A obra chegou à premiação com três indicações e ainda concorreu ao prêmio principal de Melhor Filme Dramático.
Viva o cinema nacional
Ao receber o prêmio, Wagner Moura destacou o peso simbólico da produção. “É um filme sobre memória, trauma geracional e valores. Se o trauma pode ser herdado, os valores também podem”, afirmou, dedicando a conquista ao público brasileiro e celebrando a cultura nacional.
Na categoria de Melhor Ator, Moura superou nomes como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White. Já o prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa representou a primeira vitória brasileira na categoria desde “Central do Brasil”, em 1999.
Moral com o diretor
O diretor Kleber Mendonça Filho também ressaltou o momento histórico, dedicando o prêmio aos jovens cineastas e reforçando a importância de seguir produzindo cinema em tempos desafiadores. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, afirmou ao agradecer a parceria com Wagner Moura.
Comemoração brasileira
Após a cerimônia, a celebração seguiu em clima tipicamente brasileiro. Wagner Moura, Alice Carvalho e integrantes da equipe comemoraram a conquista em uma animada roda de samba, registrada nas redes sociais do diretor, ao som do clássico “Não Deixe o Samba Morrer”, de Alcione.

