Nem toda aventura precisa de batalhas grandiosas ou inimigos perigosos para conquistar o jogador. Às vezes, basta um mundo cheio de detalhes, uma boa ideia e a vontade de descobrir o que existe depois da próxima árvore. Essa é a proposta de Hela: of Mice & Magic, novo jogo da Windup Games que coloca um pequeno rato no centro de uma jornada para ajudar uma bruxa adoecida e recuperar o equilíbrio de uma terra repleta de magia.
Com lançamento marcado para 1º de dezembro de 2026, o jogo chama a atenção pela combinação de exploração em mundo aberto, quebra-cabeças e atividades que incentivam o jogador a observar o ambiente com calma. A aventura também poderá ser compartilhada com amigos, tanto no modo cooperativo local quanto online. A proposta é simples de entender, mas tem potencial para oferecer uma experiência bastante diferente das aventuras tradicionais.
Um mundo que convida à exploração
A primeira coisa que chama a atenção em Hela: of Mice & Magic é a maneira como o jogo utiliza o tamanho do protagonista para transformar cenários comuns em lugares cheios de possibilidades. Na pele de um pequeno rato, elementos que normalmente passariam despercebidos ganham outra dimensão. Uma vegetação alta pode esconder caminhos, enquanto objetos espalhados pelo cenário se tornam ferramentas para superar obstáculos.
A ambientação é inspirada nas paisagens do norte da Suécia, com florestas, lagos, montanhas e áreas alagadas. Em vez de apostar em um universo de fantasia marcado por grandes ameaças, a aventura procura construir sua identidade por meio da natureza e dos pequenos encontros pelo caminho.

Essa escolha combina com a proposta de um jogo que valoriza a curiosidade. Explorar não significa apenas chegar ao próximo objetivo, mas também investigar os arredores, encontrar recursos e descobrir maneiras diferentes de interagir com o ambiente. É uma abordagem que pode agradar especialmente a quem gosta de aventuras em que o próprio cenário tem um papel importante na experiência.
A história também segue essa linha mais acolhedora. Uma bruxa que protege a região há gerações está doente e já não consegue cuidar de tudo como antes. Cabe aos seus pequenos familiares percorrer a região, ajudar outras criaturas e tentar restabelecer o equilíbrio da terra.
Embora a premissa não pareça buscar grandes reviravoltas, ela oferece uma motivação clara para a jornada. A ideia de assumir responsabilidades quando alguém que sempre cuidou de você já não consegue fazer isso sozinho também dá à aventura uma dimensão emocional interessante.
A mochila mágica é mais do que um acessório
O protagonista pode ser pequeno, mas não está desamparado. Um dos principais recursos de Hela: of Mice & Magic é Froggy, uma mochila mágica que acompanha o rato durante a exploração e amplia suas possibilidades de interação com o cenário.
A ferramenta permite realizar movimentos como saltar, balançar-se e planar, além de ajudar na coleta de recursos e na resolução de quebra-cabeças. Com isso, a mochila deixa de ser apenas um item de apoio e passa a fazer parte da identidade do jogo.
Essa integração é importante porque aventuras de exploração precisam oferecer motivos para que o jogador continue investigando o mapa. Encontrar um caminho inacessível e descobrir como alcançá-lo pode ser tão interessante quanto chegar ao destino. Quando as habilidades do protagonista estão conectadas à movimentação e aos desafios ambientais, a própria exploração ganha mais profundidade.

A física dos objetos também aparece entre as características divulgadas pelos desenvolvedores. A possibilidade de experimentar com elementos do cenário pode tornar os desafios menos previsíveis, especialmente quando o jogador precisa encontrar uma solução usando o que está disponível ao redor.
Ainda será necessário avaliar como essas interações funcionam ao longo da campanha completa. Uma boa ideia pode perder força quando os desafios começam a se repetir, mas o conjunto apresentado até agora indica que a Windup Games pretende fazer da exploração uma das principais razões para continuar jogando.
Alquimia e pequenas tarefas dão sentido à aventura
Outro elemento importante é o sistema de preparo de poções. Durante as expedições, o jogador pode reunir ingredientes e levá-los de volta à casa da bruxa para criar misturas mágicas.
Essas receitas não servem apenas como uma atividade paralela. As poções, chamadas de Remedies, podem ajudar outras criaturas, aprimorar habilidades e liberar novas maneiras de interagir com o mundo. Assim, os recursos encontrados durante a exploração se conectam diretamente à progressão.

É uma decisão interessante porque incentiva o jogador a prestar atenção nos arredores. Uma planta encontrada fora do caminho principal pode ser justamente o ingrediente necessário para preparar uma poção útil mais adiante. A coleta passa a ter uma finalidade concreta, em vez de funcionar apenas como uma lista de itens para completar.
O sistema também pode contribuir para a sensação de evolução. Em vez de depender exclusivamente de equipamentos mais fortes ou de uma árvore extensa de habilidades, o avanço acontece por meio da descoberta de ingredientes, do preparo de receitas e do acesso a novas possibilidades.
O desafio será manter essa dinâmica interessante durante toda a aventura. Se as receitas exigirem apenas combinações previsíveis ou se as tarefas se tornarem repetitivas, parte do encanto pode desaparecer. Por outro lado, se cada descoberta abrir caminhos realmente diferentes, a alquimia poderá ser um dos elementos mais marcantes do jogo.
Uma aventura que funciona sozinho ou acompanhado
O modo cooperativo é outra característica importante de Hela: of Mice & Magic. A aventura poderá ser jogada individualmente, em tela dividida local para duas pessoas ou online com até quatro jogadores.
Essa flexibilidade amplia o público do jogo. Quem prefere explorar no próprio ritmo poderá aproveitar a campanha sozinho, enquanto grupos de amigos terão a oportunidade de compartilhar os desafios e descobrir soluções em conjunto.
Para quem joga sozinho, o título conta com o sistema Shade, que permite criar cópias mágicas do personagem para ajudar na resolução de quebra-cabeças. A mecânica é especialmente relevante porque evita que os desafios dependentes de cooperação se tornem uma barreira para quem não tem companhia.

A proposta faz sentido para uma aventura baseada em experimentação. Resolver um obstáculo com a ajuda de outras pessoas pode render momentos divertidos, mas a experiência individual também precisa oferecer liberdade e variedade. O sistema de cópias mágicas parece ser uma maneira de conciliar essas duas possibilidades.
Resta descobrir se o modo cooperativo acrescentará situações realmente interessantes ou se ficará restrito a facilitar tarefas que poderiam ser resolvidas da mesma maneira sozinho. Essa diferença pode ser decisiva para quem pretende jogar acompanhado durante toda a campanha.
O visual aconchegante precisa vir acompanhado de variedade
Jogos com uma identidade visual acolhedora costumam conquistar a atenção rapidamente, mas manter o interesse exige mais do que cenários bonitos. No caso de Hela: of Mice & Magic, a combinação entre paisagens naturais, criaturas fantásticas e a perspectiva de um protagonista diminuto cria boas oportunidades para construir ambientes memoráveis.
A escala também pode favorecer a exploração. Um espaço aparentemente simples ganha novas possibilidades quando precisa ser atravessado por um personagem tão pequeno. Troncos, pedras, raízes e outros elementos naturais podem funcionar como obstáculos, plataformas ou esconderijos.
O ponto mais importante será a variedade dessas situações. Um mundo aberto precisa oferecer descobertas suficientes para justificar o tempo gasto percorrendo suas áreas. Se os ambientes forem visualmente distintos e os desafios aproveitarem as particularidades de cada região, a aventura terá mais chances de evitar a sensação de repetição.
A trilha sonora também merece atenção. A música está sendo composta por Frida Johansson e Henrik Oja, e terá a função de acompanhar uma jornada que pretende valorizar a atmosfera e os momentos de tranquilidade. Em uma aventura desse tipo, o som pode contribuir tanto para a identidade dos cenários quanto para o ritmo da exploração.
Por enquanto, porém, é importante separar o potencial artístico do resultado final. A apresentação visual e a proposta são promissoras, mas a qualidade da experiência completa dependerá da execução de suas mecânicas e da consistência do mundo.
Vale a pena ficar de olho em Hela: of Mice & Magic?
Hela: of Mice & Magic apresenta uma combinação que pode agradar a quem procura aventuras mais leves, com exploração, quebra-cabeças e uma progressão baseada na descoberta. A mochila mágica, a preparação de poções e a possibilidade de jogar sozinho ou acompanhado dão ao projeto diferentes caminhos para construir uma experiência própria.
O que mais chama a atenção não é apenas a ideia de controlar um rato em um cenário gigantesco, mas a maneira como essa perspectiva pode transformar a interação com o ambiente. Quando o jogo faz o jogador observar melhor o espaço ao redor e experimentar soluções, até uma tarefa simples pode se tornar uma descoberta interessante.
Ainda existem questões importantes a esclarecer, principalmente sobre a variedade dos desafios, o ritmo da campanha e a profundidade dos sistemas de exploração e alquimia. Sem uma avaliação da experiência completa, também seria precipitado afirmar que o jogo conseguirá manter o mesmo nível de interesse do começo ao fim.
Mesmo assim, a proposta merece atenção. Para quem gosta de aventuras acolhedoras e prefere descobrir segredos a enfrentar uma sequência interminável de inimigos, Hela: of Mice & Magic pode ser um lançamento interessante para acompanhar em 2026.
O jogo chega em 1º de dezembro para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, com versões digitais e uma edição física limitada chamada Harmony Edition para consoles selecionados. Uma demonstração também está disponível no Steam, permitindo conhecer parte da proposta antes do lançamento.

