Naomi: HQ arrisca e acerta com dinâmica de série de televisão

Carlos Bazela

O Superman lutando contra um vilão como Mongul seria algo para deixar qualquer lugar alvoraçado e ser assunto por semanas a fio. Ainda mais na pequena cidade de Porto Oswego, onde nunca acontece nada. E justo quando acontece, Naomi McDuffie, adolescente fã do Homem de Aço, não está perto para ver.

É “apadrinhada” pelo Superman que começa o primeiro volume – ou 1ª temporada, como prefere a edição – de Naomi, HQ da mais nova heroína da DC Comics, criada por Brian Michael Bendis e David F. Walker, com ilustrações de Jamal Campbell. O quadrinho foi lançado recentemente no Brasil pela Panini.

Em comum com um dos maiores medalhões da editora, Naomi tem o fato de ser adotada. E, como não é estranho nesse tipo de história, faz terapia e começa a fazer as perguntas peculiares da situação, como quem são seus pais e de onde veio. Porém, as perguntas da jovem vão acabar encontrando respostas na guerra entre os planetas Rann e Thanagar e em uma das milhares de Terras que compõem o Multiverso DC.

Quase Ultimate

Naomi é uma leitura instigante e fácil de ser terminada em poucas horas de leitura. Bendis e Walker trabalham bem o suspense, aproveitando as perguntas e entregando revelações inesperadas até que finalmente começam a responder as perguntas da personagem. E fazem isso dosando clichês com elementos novos e referências da casa a seu favor.

A dinâmica com Naomi lembra muito Homem-Aranha Ultimate, que, não por acaso, é um dos trabalhos mais longevos de Brian Bendis como roteirista. Então, se há o Superman, Rann e Thanagar e um evento chamado de crise para situar os leitores veteranos de onde a garota está inserida, ao mesmo tempo temos Zumbado e Akira, vindos de uma Terra completamente nova e cheia de potencial inexplorado.

Algo que pode ser acompanhado, pelo menos nesse começo, à parte da editora, mas que sabemos que faz parte de uma história muito maior. E que pode receber a participação de algum dos pesos-pesados da casa a qualquer momento.

Primeira temporada

A história também se desenrola como o episódio piloto de uma série, quando a jornada do personagem é estabelecida, revelações são feitas, mas novas perguntas surgem. Tudo para manter o público instigado para os capítulos seguintes, o que dá todo o sentido desse primeiro volume receber o nome de “1ª temporada”.

Naomi também é cheia de simbolismos. Afinal, é uma protagonista negra, com dreads e cuja melhor amiga, Annabelle, não integra os padrões convencionais de corpos que vemos normalmente em HQs. E o melhor disso é que elas estudam e vivem normalmente, mostrando que a saga do “diferente” nem sempre é sofrer bullying o tempo todo. E muito dessa afinidade quase instantânea com a história vem do traço aconchegante e expressivo de Jamal Campbell.

É com esse clima de realidade, onde os filmes e séries de super-heróis ganham fãs, que Naomi estabelece sua relação com o leitor, convidando-o para descobrir junto com ela os mistérios de sua origem. Assim, a HQ traz uma aventura sob perspectiva completamente nova para os quadrinhos, mostrando que o multiverso da DC é sim grande o bastante para conceitos originais.

Seria ótimo também se as histórias da garota seguissem essa fórmula de viverem dentro de seus próprios universos, com participações especiais eventuais, tal qual uma série de TV. Aí sim poderemos dizer que a DC conseguiu algo de realmente novo ao trazer para o papel a dinâmica de contar histórias dos seriados.

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