Faith: HQ da Valiant derruba preconceitos com história envolvente

Faith Herbert está reconstruindo sua vida. Terminou um namoro, se mudou para Los Angeles e trabalha como repórter para um site de cultura pop chamado Zipline. Tudo pareceria extremamente normal para a vida de qualquer garota se ela também não fosse a super-heroína Zephyr, uma psiônica, que projeta campos de força ao seu redor com a mente, que entre outras habilidades, lhe permitem voar. E também fosse ex-integrante dos Renegados da Fundação Harbinger, uma genuína superequipe de jovens poderosos responsáveis por salvar o mundo de um psicopata Harada.

As coisas seriam um pouco mais simples se o mundo não soubesse que Faith e Zephyr são a mesma pessoa. Assim, para conseguir passar incógnita, ela precisou criar a identidade de Summer Smith, que também lhe obriga a passar boa parte do tempo sob uma peruca ruiva na redação do Zipline. É com esse contexto que começa o primeiro volume de Faith, HQ da Valiant Comics, mesma editora de Bloodshot – que vai virar filme com Vin Diesel – e que também saiu aqui no Brasil pela Jambô Editora.

Em Faith, vemos que super-heróis não tiram férias. Mesmo tendo vencido a luta com Harada, Zephyr segue dedicando suas noites para combater o crime e conta com o apoio do hacker @X, um antigo parceiro dos tempos de Renegados e responsável por sua nova identidade, e do novo amigo Archer, com quem só conversa pela tela do computador.

Como diz o ditado: “quem procura, acha”. E, de uma hora pra outra, a garota se vê investigando uma conspiração sobre jovens sendo sequestrados. E que fica ainda mais aterrorizante quando ela descobre que todos eles têm potencial para desenvolverem habilidades psiônicas. O mesmo tipo de vítimas do seu antigo inimigo. Faith então corre contra o tempo para encontrar os adolescentes perdidos e os responsáveis pelas abduções, mas nada é tão óbvio quanto parece.

Gente como a gente

O melhor de Faith é que a protagonista é uma garota normal. Estamos falando de uma nerd fascinada por cultura pop, que vive sonhando acordada. Com muito humor e um roteiro cheio de referências a personagens e séries icônicas, ela personifica o sonho de todo fã de heróis, se descobrindo com poderes especiais e fazendo o melhor uso possível deles.

Contudo, isso não significa que a garota seja a pessoa mais confiante do mundo e não tenha inseguranças e pesadelos. Principalmente quando se lembra de Charlene (ou Flamingo), uma amiga e integrante dos Renegados, que deu sua vida para vencer Harada. E há o caso dos jovens desaparecidos que obriga Faith a encontrar seu ex-namorado, Torque, que preferiu usar sua dose de fama para estrelar um reality show sensacionalista.

Com texto leve da escritora Joudi Houser – ainda que tenha impacto em algumas passagens – e a arte firme de Francis Portela, que se reveza com o estilo quase cartunesco de Marguerite Sauvage para dar mais vida aos sonhos de Summer Smith, Faith ainda reserva ao leitor uma bela dose de reviravoltas. Mesmo que o final não seja dos mais surpreendentes para leitores veteranos, entrega uma narrativa envolvente, da qual é quase impossível escapar antes que o gibi termine.

Além disso. Faith reserva espaço para mandar uma mensagem poderosa de combate à gordofobia. Afinal, é sempre mais fácil crer que uma super-heroína seja sempre uma mulher magra e dentro do que se considera “padrão de beleza”. Felizmente, Faith está aqui para mudar isso com carisma, heroísmo e em paz absoluta paz com seu corpo. Como todos nós deveríamos estar, não é mesmo?

Faith

Editora: Jambô
Autores: Joudi Houser (roteiro) Francis Portela e Marguerite Sauvage (arte), Andrew Dalhouse (cores)
Capa: cartonada
Lombada: quadrada
Páginas: 112
Formato: 27,4 x 18,2 cm
Lançamento: 1º volume – janeiro /2017

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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