Eles Vão Te Matar é o tipo de experiência audiovisual que você não sabe exatamente como descrever – e talvez nem precise.
“Eles Vão Te Surpreender”
O filme é extremamente brega e cafona, abraçando o ridículo sem qualquer vergonha, entre cenas de um “terrir” cheio de ação. Com isso, transforma o exagero em sua identidade própria. O resultado? Uma montanha-russa caótica que parece uma mistura louca de Kill Bill com Casamento Sangrento, mas com doses generosas de trash.
E o melhor? Tudo isso embalado por muita ação e gore, com sangue explodindo para todos os lados. Além disso, vale ressaltar que suas sequências transitam entre o cômico e o épico com a mesma facilidade com que o filme muda de tom.

Nada aqui é sutil – e esse é justamente o charme de Eles Vão de Matar. A direção aposta em cores berrantes, atuações exageradas e situações que flertam constantemente com o absurdo. Tudo isso em um ritmo frenético, que mal dá espaço para o espectador respirar. É um filme que não tem medo de parecer “too much”, e por isso mesmo acaba encontrando um espaço próprio dentro do caos que ele mesmo constrói para si.
O elenco também entra completamente no jogo, e isso faz toda a diferença. Zazie Beetz arrasa com seu protagonismo, funcionando como uma excelente final girl e dominando as cenas de ação com presença e carisma. Tom Felton e Heather Graham estão ótimos como ricos mimados e sádicos, despertando uma raiva crescente ao longo da narrativa – mas sem perder o tom de humor ácido. Já Patricia Arquette entrega uma das personagens mais interessantes da obra: a empregada que se enxerga como patroa, completamente iludida em sua prisão dourada, escancarando a ideia de que o sonho de muitos oprimidos é, no fim das contas, se tornar o opressor.
Mas o que realmente se mostra o diferencial do filme é o plot twist espetacular que ocorre ainda na primeira meia hora. É aquele tipo de reviravolta que não apenas surpreende, mas muda completamente a forma como você assiste ao restante do longa. A partir daí, a sensação é constante: “que p**** é essa?” – e, curiosamente, isso funciona a favor da experiência.
É divertido, mas passa longe de imperdível
Isso não significa que Eles Vão Te Matar seja um filme imperdível – longe disso. Ele tropeça, exagera, e em vários momentos parece mais interessado em chocar do que trabalhar em seu roteiro. Ainda assim, há um valor marcante em sua ousadia. É divertido, imprevisível e, acima de tudo, surpreendente dentro daquilo que propõe.
No fim, é aquele tipo de obra que dificilmente será unanimidade – mas que certamente vai encontrar seu público entre quem aprecia um bom terrir exagerado, a sanguinolência e o puro entretenimento sem filtros.

