A nova série do Globoplay, Dias Perfeitos, baseada na obra literária de mesmo nome do autor Raphael Montes chegou ao fim. Com uma trama envolta em obsessões doentias fantasiadas de romance, perseguições e cenas de alto teor gráfico, a história de Téo e Clarice consegue também se provar como um dos motivos pelos quais Montes vêm fazendo sucesso.
Retrato de uma obsessão
A série acompanha o psicopata Téo, estudante de medicina que fica obcecado por Clarice, uma aspirante a roteirista. Após beijar Téo em um churrasco para fazer ciúmes no namorado, Clarice acaba sequestrada e transformada em um objeto de admiração do rapaz, que escalona para comportamentos violentos, agressões, sequestro e muitos outros crimes hediondos.
Além disso, a forma como Téo fica cada vez mais perto de cruzar determinadas linhas, surpreende pela conveniência como tudo se desenrola e como ninguém ao redor parece perceber o que está acontecendo na vida do casal.
Essa tensão faz com que a produção prenda o espectador, justamente pela sensação de que Téo será pego a qualquer momento com suas mentiras, criando um clima de apreensão, suspense e principalmente agonia pela situação em que Clarice se encontra
Com isso, Dias de Perfeitos de Raphael Montes se solidifica pela apreensão e violência, causando momentos de euforia, raiva e angústia, como normalmente são as obras do autor, se consolidando como um dos nomes mais interessantes da literatura brasileira atualmente.
Além disso, as obscenidades praticadas pelo psicopata contra Clarice, servem como um ponto de alerta para os milhares de casos de violência contra a mulher que acontecem no Brasil diariamente e como as pessoas que vêem essa violência de fora tendem a reagir quando se deparam com uma situação dessas.
Dessa forma, Dias Perfeitos, além de ser uma obra que choca e prende o espectador, é também um retrato frio e chocante de como a nossa sociedade lida com a violência contra a mulher, onde muitas vezes o pior acontece pela omissão daqueles que não deveriam fechar os olhos.

