A Longa Marcha: tensão que não perde o ritmo

A Longa Marcha: tensão que não perde o ritmo
Foto: Paris Filmes

Das páginas às telas: as adaptações de King

As obras literárias de Stephen King ganhando grandes adaptações não é novidade para ninguém. De Um Sonho de Liberdade a It: A Coisa, o autor se aprofunda nas fragilidades da mente humana para contar histórias que vão do drama ao terror. Dessa vez, a direção ficou por conta de Francis Lawrence – responsável pelas três sequências de Jogos Vorazes. Com uma história que muito se aproxima de suas experiências prévias – uma distopia onde jovens se enfrentam até a morte – chegou a vez de A Longa Marcha caminhar do papel às telonas.

A trama do filme é bastante simples: em um Estados Unidos distópico, um jovem de cada estado é selecionado para competir na Longa Marcha. Neste evento televisionado, cinquenta jovens precisam caminhar em uma velocidade mínima, até sobrar apenas um deles. Quando param ou diminuem o passo, recebem uma advertência. Após a terceira, são executados.

A Longa Marcha: personagens que caminham para o fim

Por mais que pareça monótono assistir a jovens caminhando sem parar, o produto final consegue ser o oposto disso. O filme se mantém pelos diálogos dos personagens, que refletem enquanto suas vidas estão por um fio. Tudo o que sabemos sobre este mundo brutal vem destas conversas, que exploram o cenário e contextualizam a trama. Porém, a distopia fica sempre em segundo plano, pois A Longa Marcha deixa evidente que seu trunfo é outro: seus personagens.

Tendo em mente que apenas um deles vai sobreviver, cada um reage da sua própria maneira frente aos demais adversários. Enquanto amizades se formam, rivalidades se intensificam. Até mesmo o mundo autoritário que os cerca ganha uma personificação, que se dá por meio da figura do Major, responsável pela Longa Marcha e símbolo deste mundo brutal. Vale ressaltar também que tais personagens não seriam nada, afinal, sem seu elenco, que brilha cheio de nomes conhecidos.

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Foto: Paris Filmes

O filme, assim, faz com que o público crie empatia pelos personagens e torça por eles. Por mais que saibamos que vão morrer, a morte de cada competidor consegue emocionar. A brutalidade também não deixa a desejar, com mortes gráficas e viscerais, que tornam tudo ainda mais impactante. Dessa forma, o público sempre se percebe tenso, na ponta da poltrona, temendo que seu personagem favorito diminua o passo e seja a próxima vítima.

Por fim, entrega um final surpreendente, que se mostra até melhor que o do livro original, mas que continua simbólica e flertando com o pessimismo. A Longa Marcha, portanto, se torna uma das melhores adaptações de King em anos, onde a tensão mantém-se no ritmo, do início ao fim, quase como os personagens – sem parar.

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