Uma Semana, Nada Mais: humor contra relações tóxicas

Uma Semana, Nada Mais: humor contra relações tóxicas
Foto: Divulgação

Uma Semana, Nada Mais, adaptação brasileira de peça francesa em cartaz no Teatro Nair Bello, já começa com uma premissa que pode fazer muita gente torcer o nariz. A história parte de uma ideia extremamente machista e tóxica – mas não se engane: isso é totalmente proposital.

Na trama, Sofía e Pablo moram juntos há apenas quatro meses. Enquanto ela vive um verdadeiro sonho, para ele está sendo um pesadelo. Desprovido de caráter – ou sequer coragem – para terminar a relação, Pablo recorre a um plano absurdo. Ele pede para que seu melhor amigo, Martín, passe uma semana morando com o casal, a fim de transformar a vida de Sofía em um inferno e levá-la a desistir do namoro por conta própria.

Nas mãos erradas, essa premissa poderia resultar em uma comédia de extremo mau gosto. Felizmente, Uma Semana, Nada Mais faz justamente o contrário. A peça transforma manipulação, gaslighting e egoísmo em alvo de piadas, fazendo com que o público revire os olhos enquanto gargalha das situações absurdas. Como exemplo do absurdo, temos entre as principais piadas recorrentes o mal-entendido que confunde uma hemorróida com a morte de uma mãe.

A todo momento percebemos o quanto Pablo é egoísta e covarde, enquanto Sofía rapidamente conquista nossa simpatia. A graça nasce justamente desse contraste: rimos das situações, mas nunca das atitudes do protagonista.

Dessa forma, entre mal-entendidos, mentiras e armações, a manipulação escancarada funciona como uma ferramenta para criticar a si própria. Conforme os dias passam e a convivência entre os três se torna cada vez mais caótica, a peça revela novas camadas de seus personagens e convida o público a refletir sobre relacionamentos tóxicos, mas sem deixar o humor de lado.

“Uma Semana, Nada Mais” em ótimas mãos!

O elenco, formado por apenas três atores, impressiona com um excelente timing cômico. Leandro Luna abraça o lado mais detestável de Pablo, mas sem tentar suavizar ou passar pano para suas atitudes. Enquanto isso, Julianne Trevisol faz de Sofía o coração da história, sendo também um alicerce moral que impede a trama de romantizar qualquer comportamento abusivo. Já Beto Schultz rouba diversas cenas como Martín, entregando um humor físico e caricato que beira o pastelão, e rende alguns dos momentos mais engraçados da noite.

No fim das contas, Uma Semana, Nada Mais é uma comédia simples, inteligente e extremamente divertida. Misturando as nuances do humor francês com o ritmo da comédia brasileira, a peça consegue transformar uma premissa desconfortável em uma crítica afiada à manipulação e à toxicidade nos relacionamentos, provando que é possível provocar boas reflexões sem abrir mão de boas risadas.

A peça já está em cartaz no Teatro Nair Bello, com sessões de sexta a domingo, até dia 16 de agosto.

Next Post

7 Mulheres e um Mistério mistura humor e suspense

Chegou mais um musical para conquistar os palcos de São Paulo. E, apesar de ser inspirado em 8 Femmes, clássico francês de Robert Thomas, 7 Mulheres e Um Mistério – O Musical segue seu próprio caminho. A montagem traz personagens inéditas, uma história totalmente nova e músicas criadas especialmente para […]