Depois de uma sequência intensa de episódios centrados em Apocalipse, “Perigo.exe” reduz a escala do conflito sem perder a ambição. Em vez de uma guerra contra um inimigo externo, o sexto capítulo da segunda temporada de X-Men ’97 olha para dentro da Mansão Xavier e mostra que algumas das maiores ameaças podem nascer justamente das feridas que ainda não cicatrizaram.
Charlie continua preso ao luto por Magneto
O episódio abre com Charles Xavier incapaz de aceitar a morte de Magneto. Preso em um ciclo de culpa, ele revive repetidamente, na Sala de Perigo, o momento em que seu antigo amigo é morto por Apocalipse, tentando encontrar uma maneira diferente de salvá-lo. É um retrato interessante de um Xavier vulnerável, consumido pela sensação de fracasso, e que mostra como até o mentor dos X-Men pode ser derrotado pelo peso do luto.
Essa obsessão acaba sendo justamente o estopim para o surgimento de Danger, estabelecendo um conflito que funciona tanto como ameaça física quanto como metáfora para a incapacidade de Charles seguir em frente.
Polaris finalmente ganha os holofotes
Depois de anos sendo uma personagem pouco explorada em animações, Polaris assume o protagonismo do episódio. Sua volta à Mansão Xavier acontece após ser afastada da X-Factor, mas o verdadeiro foco está em seu conflito interno após a morte de Magneto.
A revelação – ou reafirmação – de que Erik é seu pai dá um peso emocional importante à personagem. A série acerta ao conectar seu arco diretamente ao de Xavier, permitindo que ambos enfrentem a perda sob perspectivas diferentes.
Danger adapta um clássico dos quadrinhos
O grande destaque do episódio é a estreia de Perigo, adaptação da clássica história Dangerous, publicada em Astonishing X-Men. A inteligência artificial da Sala de Perigo desperta e conclui que a única forma de proteger os mutantes é levá-los ao limite, transformando os treinamentos em armadilhas mortais.
Visualmente, Perigo impressiona, e as sequências de ação aproveitam bem os diferentes cenários criados pela Sala de Perigo. Além disso, a ideia de transformar um dos maiores símbolos da escola em seu pior inimigo conversa diretamente com o estado emocional de Xavier: aquilo que deveria preparar os X-Men para sobreviver passa a ameaçá-los.
O nascimento da X-Corp muda o futuro da série
Mesmo depois da batalha, o episódio ainda encontra espaço para um dos acontecimentos mais importantes da temporada: a criação da X-Corp.
A decisão de Charles Xavier representa uma evolução natural da missão dos X-Men. Em vez de apenas treinar jovens mutantes na Mansão, a equipe passa a pensar em uma atuação global, expandindo sua influência para além da escola. A mudança bebe diretamente da fase de Grant Morrison nos quadrinhos e deixa claro que a série está interessada em adaptar histórias muito além da década de 1990.

