Power Rangers (2017) não precisa de faíscas para ser brilhante

Se você teve sua infância durante a década de 1990, provavelmente passou muitas horas acompanhando as aventuras dos Power Rangers, em suas diversas séries de TV e filmes. Entretanto, pode ter recebido com alguma apreensão o anúncio de que os patrulheiros coloridos retornariam aos cinemas. Um aviso? Pode tranquilizar o seu “morfador” porque a franquia volta às telonas nesta quinta-feira (23/03) de forma arrebatadora. Dirigido por Dean Israelite (Projeto Almanaque), o reboot da saga chega trazendo originalidade e nostalgia na medida perfeita.

Divertido e cheio de ação, Power Rangers (Power Rangers, EUA/Canadá, 2017) conta as origens de Jason Scott/Ranger Vermelho (Dacre Montgomery), Billy Cranston/Ranger Azul (RJ Cyler, de Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer), Kimberly Hart/Ranger Rosa (Naomi Scott, de Os 33), Trini/Ranger Amarela (Becky G., de Empire) e Zack Taylor/Ranger Preto (Ludi Lin, de Marco Polo) como os defensores da vida na Terra. Antes disso, a obra volta à Era Cenozoica para contextualizar a batalha entre Zordon (Bryan Cranston, de Breaking Bad) e Rita Repulsa (Elizabeth Banks, de Jogos Vorazes).

A aparição dos zords é o ápice de Power Rangers. Repare em como estão fiéis! (Foto: Lions Gate)

A aparição dos zords é o ápice de Power Rangers. Repare em como estão fiéis! (Foto: Lions Gate)

Na moderna e arrojada perspectiva do cineasta Dean Israelite, os Rangers do século 21 são um grupo de jovens desajustados, excluídos, rebeldes e solitários (cada um à sua maneira). Enquanto Jason tem registro de indisciplina, Billy é diagnosticado como autista, Kimberly carrega arrependimentos, Trini tem medo de revelar sua sexualidade para seus pais e Zack vive com medo de perder a mãe doente. À medida que lidam com problemas familiares, psicológicos e jurídicos, os protagonistas são convocados pelo destino para atuar no duelo entre o bem e o mal.

Deste modo, na trama situada na Alameda dos Anjos, os cinco heróis adquirem moedas do poder e, por meio de Zordon e do robôzinho Alpha 5 (dublado por Bill Hader, de Divertida Mente), descobrem que precisam impedir que a alienígena Rita Repulsa destrua o planeta ao roubar sua essência vital, simbolizada pelo cristal Zeo. Para tanto, o grupo deve treinar artes marciais, aprender a trabalhar em equipe e desenvolver a capacidade de morfar (isto é, conjurar as suas respectivas armaduras) para encarar a bruxa cósmica, que conta com o reforço da monstruosa criatura chamada Goldar.

Diferente do seriado, Zordon e Alpha 5 têm participação mais discreta no reboot de Power Rangers. (Foto: Lions Gate)

Diferente do seriado, Alpha 5 e Zordon têm participação mais discreta no reboot de Power Rangers. (Foto: Lions Gate)

Competitivo diante de qualquer blockbuster da Marvel e DC Comics, Power Rangers honra a franquia ao propor uma total renovação em relação a versão original, trata seus personagens principais como legítimos super-heróis dos filmes atuais e ainda mantém-se fiel à essência do programa clássico. Poderoso como o Megazord (que também aparece), o longa aprofunda-se com propriedade nos dramas e personalidades de seus protagonistas, demonstrando ser inclusivo e “pés no chão” para discutir situações comumente encontradas nos dias de hoje.

Para fã nenhum botar defeito, a produção recria os combates entre seres gigantes ao longo da Alameda dos Anjos, revive os remodelados bonecos de massa (capangas de Rita Repulsa) e, durante a entrada dos Zords, põe para tocar a icônica música tema Go! Go! Power Rangers. Além disso, com seu humor afiado e adulto, Power Rangers faz piada com Homem-Aranha e Homem de Ferro, tira sarro do Bumblebee, de Transformers, e ainda arranja tempo para mandar um “Yippee Ki Yay, motherfucker” à la Duro de Matar. É muita atitude para um filme só, não?

Na cena em uma joalheria, há uma referência aos chifres da Rita Repulsa da série clássica. (Foto: Lions Gate)

Na cena em uma joalheria, há uma referência aos chifres da Rita Repulsa da série clássica. (Foto: Lions Gate)

Com uma homenagem aos atores Jason David Frank e Amy Jo Johnson, que, respectivamente, interpretaram Tommy Oliver/Ranger Branco e Kimberly Hart/Ranger Rosa na série de 1993 e a promessa de uma sequência, o lançamento da Paris Filmes tem 1 cena adicional entre os créditos.

Havia um jeito certo de fazer os Power Rangers voltarem às telonas, e é isso que você verá a partir desta quinta-feira (23/03) nos cinemas.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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