Os Ratos: Uma História de The Witcher chegou de surpresa à Netflix, quase como um prequel improvisado, disposto a preencher lacunas entre a 3ª e a 4ª temporada da série principal. E, apesar de funcionar como curiosidade para fãs do universo criado por Andrzej Sapkowski, o especial de 80 minutos entrega pouco do impacto e da densidade emocional que tornaram Geralt, Ciri e Yennefer tão marcantes – e acaba dependendo de alguém totalmente fora do radar: Dolph Lundgren.
A origem da gangue, mas sem profundidade
Focado no grupo adolescente conhecido como Os Ratos – liderado por Mistle – o especial tenta explicar como aqueles jovens órfãos de guerra encontraram no crime uma forma de sobreviver a um continente devastado. A ideia é boa, especialmente pela relação direta dos personagens com o futuro de Ciri. Mas a execução parece apressada.
A narrativa corre demais, os conflitos aparecem e desaparecem sem tempo de respiração e quase não há espaço para explorar a tragédia pessoal que molda cada um deles. Para um universo que sempre brilhou ao discutir trauma, poder e destino, “Os Ratos” soa diluído.
Dolph Lundgren entra e muda tudo
Eis a surpresa: a presença de Dolph Lundgren como um mercenário brutamontes que cruza o caminho da gangue. No papel, seria apenas um antagonista temporário – mas Lundgren entrega um desempenho inesperadamente carismático, amarrado em aquele misto de autoridade, humor acidental e presença física que só ele consegue equilibrar.
Quando ele está em cena, o especial ganha vida. De repente, há tensão real, imprevisibilidade e um toque de ironia que combina bem com o moralmente cinzento de The Witcher. É bizarro dizer que um derivado sobre adolescentes do Continente é salvo pelo eterno Ivan Drago – mas é exatamente isso que acontece.
Técnicamente competente, emocionalmente distante
A fotografia tem boas ideias, há cenários interessantes e um esforço genuíno para manter a estética sombria da série principal. Porém, sem um protagonista forte, o especial se apoia em flashes de ação e numa atmosfera rebelde que nem sempre convence.
“Os Ratos” funciona como ponte narrativa, mas não como experiência própria.

