Nova HQ leva Batman a Gotham abrasileirada e atual

Agora, o brasileiro Rafael Grampá – que trabalhou com Miller – dá sua versão ao cruzado encapuzado com Batman: Gárgula de Gotham
DC

Em “O Cavaleiro das Trevas“, de 1986, Frank Miller vislumbrou um futuro em que a violência estaria banalizada e narrada em um espetáculo midiático. O lendário quadrinista lançou ainda continuações da saga até recentemente acompanhando suas previsões – que podemos dizer serem até próximas da realidade. Agora, o brasileiro Rafael Grampá – que trabalhou com Miller – dá sua versão ao cruzado encapuzado com Batman: Gárgula de Gotham. A minissérie pertence ao selo DC Black Label.

Outro universo, outros vilões

Para essa empreitada, Grampá ganhou liberdade além do selo voltado ao público maduro. Sua história, cuja primeira parte está nas lojas, se passa na Terra 46. Dessa forma, esqueça a cronologia de acontecimentos icônicos e principais vilões encarados pelo herói. É um novo mundo, com uma Gotham diferente (mas nem tanto). Os antagonistas clássicos não dão as caras, mas a violência e a corrupção da cidade das sombras estão lá. Além disso, há um cenário de alienação e opressão do povo pela elite.

Como destaque, um discurso sobre a podridão que consome quem deveria proteger o povo e cuidar de seus direitos. Da mesma, os ricos, empregadores e tomadores de decisão, que podem direcionar o rumo das coisas, são descritos como omissos ou mais interessados na manutenção de seus privilégios. É verdade que todo esse contexto faz sentido a nível mundial, mas quando vem à mente que o autor é brasileiro, você começa a ligar os pontos e tudo faz mais sentido ainda.

A “brasilidade” é tanta que se vê “Cachoeirinha” escrito numa pichação. Familiar, não?

Herói sombrio, mas vulnerável

Na pegada de Grampá, Batman é mais sobre investigação do que músculos. Ele trava batalhas acirradas contra um inimigo misterioso, cruel e insano, mas também tático. O vilão da vez sabe atacar, aproveitar brechas e bagunçar os sentidos do vigilante. Para entendê-lo, Batman precisa utilizar suas habilidades como detetive e decifrar sua ligação com Crytoon, um macabro personagem de desenho animado. Nisso, são colocados em prática os elos de Batman com Alfred e Jim Gordon.

O enredo, que permite ao Cavaleiro das Trevas quebrar ossos de bandidos, trabalha com um protagonista vulnerável. Assim, Batman sangra, erra e tem pontos em sua abordagem e armadura para melhorar.

Nova HQ leva Batman a Gotham abrasileirada e atual

Falamos de Batman, mas não sobre Bruce Wayne. Em “Gárgula de Gotham”, o herdeiro de Thomas e Martha está prestes a anunciar sua morte nos jornais para eliminar a própria identidade. Obcecado com sua missão de combater o crime, ele não encontra motivos para uma vida social. Se a integridade física do herói sofre, a saúde mental daquele por trás da máscara parece ser a maior preocupação.

No mais, a HQ tem início impecável em roteiro, com diálogos cheios de significados, e nas artes, cujos traçados dão identidade marcante e cores que tornam a atmosfera mais dark.

No Brasil, a Panini deve lançar o segundo volume de “Batman: Gárgula de Gotham” em fevereiro.

Next Post

Solo Leveling: saiba como foi a estreia na Crunchyroll

Estreia global, o aguardado anime Solo Leveling chegou à Crunchyroll em 6 de janeiro. A história é baseada em adaptada do web novel romance coreano best seller escrito por Chugong. Além disso, mais tarde foi adaptado para um webtoon e para manhwa (o mangá coreano) em 2018. “Na Crunchyroll, estamos […]
Solo Leveling: saiba como foi a estreia na Crunchyoll