Nioh leva jogador ao Japão feudal com magia e desafio intenso

Gratuito na PS Plus durante o mês de novembro – é possível baixar até o dia 2 de dezembro –, Nioh é um dos jogos mais interessantes feitos para PlayStation 4. A temática de Japão medieval misturada com magia é parecida com Onimusha, grande sucesso das gerações anteriores do console da Sony.

Mas, as semelhanças terminam aí. Na prática, Nioh é um ótimo paralelo ao aclamado Dark Souls. Tanto na dinâmica de combate quanto no sistema de “buid”, a configuração do personagem, que inclui armadura, itens extras e armas, além da dificuldade.

O game foi o destaque de novembro para download gratuito das assinantes da PSN. (Foto: PlayStation)

O jogo desenvolvido pela Team Ninja lançado em 2017 é desafiador desde seus primeiros momentos e obriga o jogador a ter cada movimento friamente calculado. Em Nioh, matar oponentes lhe concede pedras de amrita, a pedra filosofal, utilizadas para trocar por upgrades – mesmo esquema dos orbs nos antigos God of War – mas fugir de alguns significa que você pode ter chances de ver o final do game mais cedo.

Personagens reais

Nioh começa no ano de 1591 com você no controle William Adams, um homem grande e de longos cabelos brancos, bem parecido com Geralt de Rívia de The Witcher. Adams não era assim fisicamente, mas ele realmente existiu. Foi um navegador inglês, o primeiro a chegar ao Japão e sua história o descreve como aventureiro, contrabandista e até pirata.

Contudo, o discurso é o mesmo ao dizer que ele ganhou muito prestígio no país asiático e se tornou conselheiro de Tokugawa Ieyasu, ninguém menos do que o homem que depois viria iniciar o xogunato ou Período Edo no Japão. Adams viveu lá até o fim da vida, constituindo família e ensinando muito sobre o ocidente aos japoneses, incluindo sobre a construção de navios.

No início do jogo, vemos que Adams já esteve no Japão, escapou de uma batalha e foi salvo por um espírito de feições femininas, que o mostrou como utilizar as pedras de amrita para evocar habilidades mágicas. Logo no começo de Nioh, quando é preciso fugir da prisão na torre de Londres, William encontra Edward Kelly, o vilão do jogo, que usa de magia para roubar seu espírito guardião e fugir para a Terra do Sol Nascente.

Kelly é outro personagem real e sua biografia é envolta em mistério. Alguns dizem que ele era apenas um charlatão que se dizia capaz de fabricar ouro. Outros dizem que era um médium e realmente recebia mensagens espirituais por meio de cristais ou pedras refletidas pelo sol.

No jogo, esse pé ocultista foi aproveitado para construir um personagem puramente maligno, que vai ao oriente com objetivos de destruição, evocando criaturas do Reino Yokai. Então, cabe a William Adams usar seu conhecimento místico e sua aptidão na arte da espada para acabar com os inimigos. Contudo, criaturas das trevas não são as únicas inimigas, afinal ele chega ao Japão bem depois, com o país mergulhado numa guerra feudal em pleno período Sengoku.

Livre deste corpo mortal

A frase acima é provavelmente a que você mais vai ler caso seu PS4 esteja configurado para o português. Em Nioh, não tem essa de inimigo fraco. Até o mais simples dos bandidos pode desferir golpes fatais em poucos segundos de luta. Subchefes que aparecem em pontos específicos do mapa e “zumbis” Yokai, então, nem se fala.

Por isso, é bom ficar de olho nas três posturas defensivas de espada e perceber quais armas são mais eficazes em cada situação, bem como olhar os medidores de vida e de “ki”, que é gasto a medida que você ataca, defende ou se esquiva. Além de sofrer influência direta do peso de sua armadura. Como um bom RPG, é preciso checar o inventário de tempos em tempos e o nível das armas e armaduras disponíveis. Fazer o tutorial, portanto, é indispensável, ainda que opcional.

Prepare-se para confrontos insanos contra criaturas horrendas e gigantescas! (Foto: PlaStation)

Atenção também aos túmulos vermelhos no mapa. Eles liberam batalhas multiplayer com outros jogadores que podem ser ainda mais difíceis de vencer. Os combates não são obrigatórios, mas concedem ótimos itens de recompensa e você vai precisar deles.

Lute, morra, repita

O maior triunfo de Nioh é fazer você aprender a jogá-lo no bom e velho esquema da tentativa e erro e te mantém por horas com o controle nas mãos por ser extremamente divertido depois que se pega o jeito. Porém, é, ao mesmo tempo, seu maior ponto negativo, uma vez que deixa a narrativa muito em segundo plano. Os combates são tão frenéticos que te fazem esquecer até o motivo de estar ali lutando.

Pelo fato dos pontos de reinício encontrados no decorrer do mapa estarem bem distantes uns dos outros, o jogo passa uma experiência bem repetitiva, pois é preciso refazer todo um caminho enfrentando novamente os inimigos que você já matou.

Então, corra para a PSN e coloque Nioh em sua biblioteca enquanto ele está gratuito. Mas, para aproveitá-lo, reserve aquele feriado prolongado ou o recesso de fim de ano, se tiver. Você vai precisar desse tempo. E não se esqueça de acessar o Bônus no menu do oratório. Essa versão concede uma armadura dourada que certamente te ajudará a morrer um pouco menos.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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