Dias Perfeitos, de Raphael Montes: o cruel disfarçado de amor

Dias perfeitos, de Raphael Montes: o cruel disfarçado de amor
Foto: Maíra Lopes

A história de Theo e Clarice tinha tudo para ser um grande clichê de histórias de amor. O jovem estudioso e metódico, introspectivo, de poucos amigos; e a garota artística, rebelde, extrovertida. Mas o que é, de fato, o amor? O que acontece quando as noções de amor são usadas de máscara para esconder o obsessivo, o doentio, o cruel? Bem, muitas coisas acontecem, mas certamente não dias perfeitos.

O livro de Raphael Montes

Dias Perfeitos é um dos primeiros livros de Raphael Montes, escritor nacional de suspense que há muito coloca seu nome na boca do povo. A história de Montes está em alta, principalmente pelo sucesso da recém-finalizada série homônima da Globoplay, que adapta o suspense com bastante zelo.

Na trama, o jovem Theo, estudante de medicina, conhece Clarice em um churrasco. Intrigado pela jovem, Theo decide fazer de tudo para conquistar o seu amor, indo além de qualquer limite imaginado para provar a Clarice que ela seria muito feliz com ele – mesmo que a força.

Mas será que o livro é realmente bom?

Foto: Globoplay

Os piores dias perfeitos

Raphael Montes sabe explorar as bizarrices da mente humana com maestria. Em Dias Perfeitos, ele propõe contar a história através do ponto de vista único do grande vilão, levando o leitor a adentrar na loucura de Theo tal qual um autor de fantasia com um mundo mágico.

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Theo, ele se esforça para justificar suas ações para o leitor – e si mesmo –, por mais cruéis que sejam. Entre sequestros e torturas, ele nos conta que tudo está bem, pois tudo isso é feito por amor. Muitas dessas ações conseguem despertar sensações poderosas no leitor, como nojo, indignação e até pavor. Suas ações são desumanas, mas todas feitas em um nome de uma noção fantasiosa de amor. Segundo a própria Clarice, “isso é paixão, é doença, obsessão, qualquer coisa, menos amor“.

Não bastasse a naturalidade com a qual Theo narra sua história mórbida, os detalhes descritos por Montes deixa toda a experiência ainda mais desesperadora. Pelos olhos do sequestrador, o leitor consegue se apegar facilmente à Clarice, torcendo por ela ao longo da trama, para que ela se liberte desse pesadelo.

Do amor ao terror

Mais um grande ponto positivo do livro, além dos já citados, é o seu final, que o que tem de bizarro, tem de inovador. De forma criativa, Montes desdenha das noções lineares e burocráticas da literatura, fazendo tudo do seu próprio jeito, se guiando por duas dualidades que, igualmente, enaltecem as áreas mais doentias da mente humana.

Dessa forma, Dias Perfeitos se fideliza como um grandioso livro de suspense, onde uma mente distorcida é explorada a bel-prazer por um dos maiores – e mais trágicos – escritores nacionais da atualidade. Na cabeça de Theo, sua história com Clarice, de fato, tinha tudo para ser um grande clichê de histórias de amor, mas acerta em cheio como uma história de terror.

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