A adaptação em anime de Devil May Cry da Netflix chega com a confiança de quem sabe exatamente o que quer ser – e consegue. Guiada por Adi Shankar e animada pelo Studio Mir, a 1ª temporada mergulha no estilo que sempre definiu a franquia: excesso estiloso, ação que explode na tela e uma vibe punk rock que abraça o caos com orgulho. E, para felicidade dos fãs, tudo isso funciona.
Um Dante moleque e cheio de atitude
Johnny Yong Bosch dá voz a um Dante que equilibra humor, charme e irresponsabilidade calculada. É o tipo de protagonista que brilha justamente porque não tenta ser um herói perfeito – e sim o caçador de demônios com jeitão moleque que encara problemas do jeito mais barulhento, debochado e estiloso possível.
O anime entende Dante como personagem e o coloca sempre no centro, até quando está à beira do colapso.
O punk rock está de volta
Se havia alguma dúvida sobre o tom, ela desaparece nos primeiros segundos da abertura ao som de “Rollin’”, do Limp Bizkit. É uma escolha ousada, estridente e absolutamente coerente com o que a série se propõe.
A trilha sonora inteira é construída em cima desse espírito: guitarras rasgadas, batidas aceleradas e uma energia que mantém o ritmo lá em cima mesmo quando a narrativa abre espaço para diálogos e conspirações.
Para um anime que pretende reavivar a estética “gótica + suja + metal” dos anos 2000, Devil May Cry acerta em cheio.
Ação afiada e atmosfera dark convincente
O Studio Mir entrega algumas das melhores sequências de ação do catálogo recente da Netflix.
cortes rápidos;
movimentos fluidos;
criaturas demoníacas grotescas;
explosões de luz, sangue e sombra.
Tudo isso embalado por uma direção que não tem medo do exagero – e deveria mesmo ser assim. A atmosfera dark é constante: becos encharcados, neons decadentes, demônios emergindo de frestas e um mundo que parece prestes a desabar. É Devil May Cry até o osso.
Ambição e universo maior à vista
Além de narrar uma história fechada, a temporada deixa pistas claras sobre algo maior no horizonte.
Há referências, conexões e sinais de que Shankar pretende construir um universo compartilhado da Capcom, algo que já vinha sendo sugerido desde Castlevania.
Para os fãs, isso significa a possibilidade de cruzamentos inesperados entre franquias icônicas. E o anime faz isso de forma natural, sem quebrar o ritmo.

