Combinando ação e diversão, Esquadrão Suicida expande o Universo DC

Se O Homem de Aço não convenceu e Batman vs Superman: A Origem da Justiça dividiu a opinião dos fãs, o momento não poderia ser mais propício para que a DC Comics convocasse o Esquadrão Suicida (Suicide Squad, EUA, 2016) para “salvar” o seu universo cinematográfico. Para isso, foram reunidos os maiores vilões das HQs do Batman sob a direção de David Ayer (Corações de Ferro), acostumado a trabalhar com personagens atuando numa “área cinzenta” da justiça. E o resultado disso? Um filme cheio de ação, diversão e referências, com figuras femininas ocupando posições de poder e que enriquece a mitologia da DC nas telonas.

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Esquadrão Suicida traz ótimas atuações de Viola Davis, Will Smith e Margot Robbie. (Foto: Warner)

Seguindo os eventos das produções recentes, o longa mostra Amanda Waller (Viola Davis, de How to Get Away with Murder) montando um time de antagonistas para combater a ameaça dos meta-humanos (ou para dar um “chute na cara” dos heróis da concorrência?!). Deste modo, criminosos como Pistoleiro/Floyd Lawton (Will Smith, de Eu, Robô), Arlequina/Harleen Quinzel (Margot Robbie, de A Lenda de Tarzan), El Diablo/Chato Santana (Jay Hernandez, de Gang Related), Capitão Bumerangue/George ‘Digger’ Harkness (Jai Courtney, de Divergente), Crocodilo/Waylon Jones (Adewale Akinnuoye-Agbaje, de Lost) e Amarra (Adam Beach, de A Conquista da Honra) são “recrutados”, com a promessa de terem suas penas reduzidas em troca dos serviços prestados não oficialmente ao governo dos EUA.

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Em certo momento do longa, o Pistoleiro fala “as cartas estão na mesa”, uma referência à saga que conta a origem do mercenário, desenhada por Luke McDonnell, em 1988. (Foto: Warner)

Como Batman vs Superman: A Origem da Justiça, o título tem muito o que contar e se apressa demais para apresentar as suas figuras principais, trazendo pequenas biografias dos malfeitores para levá-los logo para realizar um resgate e enfrentar uma entidade não humana na fictícia Midway City. Rapidamente, Esquadrão Suicida envolve o Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman, de RoboCop), Magia/June Moone (Cara Delevingne, de Cidades de Papel) e a letal Katana (interpretada pela estreante Karen Fukuhara) para completar o grupo.

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Atenção para Katana! Ela rouba a cena ao aprisionar as almas dos inimigos em sua espada. (Foto: Warner)

Incorporando elementos de diferentes fases dos gibis, o filme presta homenagens ao quadrinista John Ostrander – responsável por reativar o Esquadrão Suicida na minissérie Lendas, lançada em 1986 – usando o modelo clássico do Suicide Squad, organizado pela autoritária Amanda Waller e cuja base de operações é a prisão de Belle Reve, localizada em Luisiana (EUA). Já a formação da Força-Tarefa X (o nome politicamente correto do Esquadrão Suicida), com a Arlequina, El Diablo e o Crocodilo fazendo as vezes do Tubarão-Rei, e a paleta de cores utilizada na produção são inspiradas nas edições do reboot Os Novos 52.

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A equipe reunida pela agência do governamental A.R.G.U.S. (Advanced Research Group Uniting Super-Humans) tem Rick Flag e Pistoleiro como líderes, assim como nas HQs. (Foto: Warner)

Protagonistas de uma trama à parte, Coringa (Jared Leto, de Clube de Compras Dallas) e Arlequina reencenam trechos de Os Novos 52 e, ao desenvolverem um relacionamento abusivo, remetem à premiada história Batman: Louco Amor, escrita por Paul Dini e publicada em 1994. Além disso, há o vislumbre da capa de Alex Ross para Batman: Harley Quinn, de 1999, e as versões do Coringa de Scott Snyder e de Alan Moore, na aclamada Batman: A Piada Mortal, por exemplo.

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Folheie a 6ª edição de Esquadrão Suicida em Os Novos 52 e você encontrará esta cena. (Foto: Warner)

A fidelidade aos quadrinhos permanece na construção de Amanda Waller fria e manipuladora, que não parece ter escrúpulos para ter para lidar com as situações que aparecem a sua frente. Apesar das polêmicas sobre sua hipersexualização, a Arlequina é outra personagem perfeitamente elaborada, pois, como nas HQs, ela é muito instável, capaz de ser mortífera, doce, sexy e complemente maluca numa variação de segundos. Enquanto isso, o ladrão australiano conhecido como Capitão Bumerangue é tão ardiloso quanto nos gibis.

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Sem dúvida, a Arlequina é a protagonista de Esquadrão Suicida e pode ganhar um filme solo. (Foto: Warner)

No entanto, a utilização dessas referências não significa que não surgiram alterações no longa do Esquadrão Suicida. Afinal, o cineasta David Ayer, que também assina o roteiro, recorre ao seu histórico com títulos sobre criminalidade (como Dia de Treinamento, Marcados para Morrer e Tempos de Violência) para modificar levemente alguns traços dos antagonistas para torná-los bandidos que o público consiga identificar nos dias de hoje. Talvez o caso da mudança mais significativa seja o maior inimigo do Batman, que, nas suas brevíssimas aparições, foi descrito como uma espécie de gângster. Outro personagem cujas diferenças são evidentes é o Pistoleiro, caracterizado caracterizado em destaque como alguém não necessariamente mau.

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Um personagem complexo, o religioso El Diablo vai cativar o público. (Foto: Warner)

Se os quadrinhos do Esquadrão Suicida foram criados com base no filme Os 12 Condenados, a nova aposta da DC Comics/Warner Bros. Pictures mantém o humor do clássico de 1967 (principalmente nas cenas em ambiente militar) e no modo como Rick Flag se relaciona com seu exército disfuncional. Porém, nas cenas de ação (que são muitas!), a superprodução tem sequências eletrizantes com o Pistoleiro e a Arlequina e efeitos especiais grandiosos, especialmente quando é Magia e seu irmão que assumem os holofotes.

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A arqueóloga June Moone é possuída por uma bruxa milenar chamada Magia. (Foto: Warner)

Levando em consideração o quanto é difícil levar a todos os públicos uma atração chamada “Esquadrão Suicida”, a obra apresenta roupagem pop e não se arrisca a mostrar carnificina, tortura e palavrões nem embarca em temas pesados, como tendências suicidas, pedofilia, preconceitos sobre gênero e etnia e conflitos geopolíticos – as HQs trazem isso. Por outro lado, dentro de suas possibilidades, o blockbuster adentra num mundo mais sujo, repleto de chantagens (emocionais e financeiras) e onde os fins justificam os meios.

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O melhor soldado dos EUA e apaixonado por June Moone, Flag se vê obrigado a comandar indivíduos aos quais costumava combater, para proteger a amada. (Foto: Warner)

Com quantidade recorde de vilões, Esquadrão Suicida expande o Universo Cinematográfico DC, exibe uma equipe de alta rotatividade, que oferece diversas possibilidades para o futuro, e tem como bônus uma trilha sonora eclética, incluindo faixas originais, clássicos do rock, pop e rap. Para finalizar, além de uma cena pós-créditos, há as participações do Batman (Ben Affleck, de Garota Exemplar) e The Flash (Ezra Miller, de As Vantagens de Ser Invisível).

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Fica a expectativa para a próxima aparição do Coringa no Universo Cinematográfico DC! (Foto: Warner)

Esquadrão Suicida estreia nesta quinta-feira (04/08) nos cinemas.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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