Cloak and Dagger: 2ª temporada combate medo com manifesto cultural

Qual o papel dos super-heróis se não o de nos trazer esperança? Série com os pés no chão, Marvel’s Cloak and Dagger se passa em um mundo onde a injustiça, a discriminação e a violência são ameaças reais e constantes, diminuindo assim o espírito das pessoas. Com personagens que tratam de questões sociais (nos quadrinhos) desde 1982, o programa desenvolvido por Joe Pokaski (CSI: Investigação Criminal) para o canal Freeform coloca seus protagonistas contra o mal encarnado pelo vilão D’Spayre (Brooklyn McLinn, de Black-ish).

Composta por 10 episódios – que, no Brasil, tem transmissão pelo Canal Sony –, a segunda temporada da atração tem a dupla Tyrone Johnson (Aubrey Joseph, de Noite Sem Fim), vulgo Manto, e Tandy Bowen (Olivia Holt, de Os Guerreiros Wasabi), a Adaga, lidando com os desdobramentos de sua batalha com a Roxxon Corp. e o corrupto detetive Connors (J.D. Evermore, de Rectify). Enquanto Tandy tenta seguir sua vida com a ajuda em um grupo de apoio, Tyrone segue foragido e fazendo justiça com suas próprias mãos.

Manto e Adaga encaram até uma dimensão de videogame. (Foto: Freeform/Alfonso Bresciani)

Já apresentada na primeira temporada de Manto e Adaga, a policial Brigid O’Reilly (Emma Lahana, de Power Rangers DinoThunder) exerce um novo (e caótico) papel, como Mayhem (antagonista que apareceu nos gibis em 1986) – tendo sido contaminada pela energia escura que transformava pessoas nos chamados “terrores” (psicopatas alucinados pelo medo). Literalmente separada entre seu lado bom e mau, O’Reilly passa a atuar como uma ajudante de Tyrone e Tandy e, por algumas vezes, como antagonista e complicadora das tramas.

Inédito no seriado, o misterioso líder comunitário Andre Deschaine (McLinn) surge como principal vilão da temporada, assumindo-se como D’Spayre – ou Desespero, como traduzido nas HQs. Deschaine é responsável pelo desaparecimento de garotas da periferia de New Orleans, para se alimentar de suas maiores esperanças e largá-las quebradas no interior. Colecionando os sonhos de suas vítimas como discos de vinil em uma dimensão sombria, Desespero tem o objetivo de se tornar um Loa – isto é, um deus vodu.

Deschaine ganhou seus poderes no incidente com a Roxxon. (Foto: Freeform/Alfonso Bresciani)

De forma lúdica, Marvel’s Cloak and Dagger transita entre realidades de luz e trevas, mostrando-nos a importância de se manter viva a esperança diante de todos os problemas do mundo na atualidade – mesmo que, para isso, você tenha que se inspirar em heróis, como Tyrone diz espelhar-se em Luke Cage. Além disso, para refletir as emoções exploradas em cada capítulo, a série investe em uma trilha sonora original bela, sensível e motivadora (já disponível no Spotity).

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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