Em sua primeira temporada, Chad Powers: O Quarterback acerta em cheio ao transformar Glen Powell – hoje um dos maiores galãs de Hollywood – em um sujeito completamente deslocado, quase uma figura folclórica dentro do esporte universitário. A série do Disney+ faz humor com a desconstrução dessa imagem, abraçando o absurdo do disfarce e apostando numa comédia que mistura sátira esportiva e crise existencial.
A premissa parte da esquete de Eli Manning para a ESPN, quando o ex-quarterback se disfarçou de “jogador comum” para tentar uma vaga em um time universitário. O conceito cresce aqui para algo maior: Russ Holliday, uma estrela do futebol americano destruída por um escândalo, decide ressurgir sob uma nova identidade – o tal Chad Powers – para reconstruir o que restou da carreira.
Uma comédia sobre identidades quebradas
O charme da série está na maneira como coloca Russ/Chad permanentemente dividido entre duas vidas: a antiga, marcada pelo glamour, excesso e expectativas irreais; a nova, em que ele é apenas mais um atleta tentando provar valor em um time pequeno – sem fama, sem vantagens, sem plateia.
Esse conflito é explorado com humor constante, mas também com doses de vulnerabilidade. A série acompanha Russ tentando aceitar que sua arrogância passada custou o futuro… e que talvez a única forma de salvar algo seja justamente vivendo como alguém completamente diferente.
Powell abraça o papel com carisma e zero vaidade: Chad é estranho, é exagerado, é meio tonto – e tudo isso funciona. A série sabe rir do próprio protagonista enquanto constrói empatia por ele.
Núcleos que humanizam a trama
Um dos pontos mais eficientes da temporada é a relação entre Chad e a filha do técnico, Ricky Hudson (Perry Mattfeld), que funciona como contraponto ao disfarce e ajuda a revelar quem Russ realmente é por trás da persona absurda que criou. Ela enxerga humanidade no jogador quando ninguém mais parece disposto a fazê-lo, o que fortalece o lado emocional da série.
O treinador vivido por Steve Zahn também rende ótimos momentos, equilibrando frustração, paciência e aquela esperança típica de quem ainda acredita em recomeços improváveis.
Humor, esporte e um coração escondido sob a peruca
O esporte funciona como pano de fundo para dilemas universais: arrependimento, reinvenção, culpa e redenção. Mas Chad Powers nunca perde a leveza. O humor físico, as situações absurdas e o desconforto constante de Russ tentando manter a farsa fazem da série uma comédia fácil de maratonar, com ritmo ágil e espírito de underdog.
A temporada curta de seis episódios ajuda a manter a história enxuta e divertida, sem enrolação.
Uma surpresa entre as séries esportivas do ano
Chad Powers: O Quarterback entrega exatamente o que promete: uma comédia esportiva divertida, com personalidade e um protagonista que funciona tanto no exagero quanto na fragilidade. Powell mostra novamente por que é um dos rostos mais versáteis da atualidade e transforma o esquisitão Chad Powers em um personagem que vale acompanhar.

