Este texto poderia começar falando sobre adaptações, citando a obra de George Orwell, de 1898, considerada uma das obras fundadoras da ficção científica moderna. Ou poderia abordar o programa de rádio de 1938, que propôs assustar os espectadores ao encenar a cobertura de um ataque alienígena. Mas aprofundar momentos icônicos da história da ficção científica é quase uma ofensa em um texto voltado para o horrendo A Guerra dos Mundos, de 2025.
O roteiro é a base de toda – ou quase – produção audiovisual. E, no caso do novo filme do Prime Video, é a base de sua tragédia. Mas o que esperar de um filme que deixa passar o seguinte diálogo: “O governo é como a mamãe e o papai! Se não podermos rastrear nossos bebês, como podemos protegê-los?”.

Indo além dos diálogos, o longa também atinge tamanha mediocridade nas atuações e em seus desfechos. Os personagens são tão rasos e apáticos que sequer é possível torcer por eles, nos levando a questionar quem são menos humanos: os protagonistas ou os alienígenas.
Já com relação aos acontecimentos, o título tenta cativar com um formato screenlife, onde tudo acontece frente às telas. Mas toda a narrativa é tão desinteressante e manjada, que qualquer possibilidade de curiosidade se esvai. Assim, acontecimentos e personagens se unem para criar um produto final raso, sem vida, que fica aquém até mesmo de um certo amadorismo que poderia ser relevado.
A Guerra dos Mundos, portanto, prova que seu lugar na lista dos cem piores filmes de todos os tempos do Rotten Tomatoes foi mais que merecido. Talvez, ao menos, faça jus ao seu nome, pois se um dia os alienígenas decidirem nos visitar, este filme será um motivo válido para começarem uma guerra.

