Filmes sobre as descobertas e vivências da adolescência estão longe de ser novidade. Era Uma Vez Minha 1ª Vez, entretanto, consegue trazer um certo frescor para essa fórmula. Claudia Castro dirige o longa, que adapta o livro de Thalita Rebouças e abraça aquela clássica vibe teen de forma divertida. Porém, o que antes era considerado um clichê cheio de breguices, aqui encontra uma maturidade interessante na forma em que conta a história.
Na trama, um grupo de amigas faz um pacto: elas querem perder a virgindade antes do fim do ensino médio. Teresa, Clara, Tuca e Patty são vividas por Livia Silva, Letícia Braga, Duda Matte e Castorine, respectivamente. Enquanto três delas ainda tentam descobrir como será essa experiência, a quarta já passou por ela e assume a missão de orientar as amigas.
As reflexões em Era Uma Vez Minha 1ª Vez
A partir daí, Era Uma Vez Minha 1ª Vez transforma a famosa “primeira vez” em uma jornada sobre descobrir o que gostam, como gostam e, principalmente, de quem gostam. E é justamente aí que as expectativas começam a atrapalhar. Uma das garotas lida com um namorado que perde a confiança na hora H; já outra se relaciona com um rapaz mais velho, que ignora suas vontades e individualidades; enquanto a protagonista se apaixona por um amigo e acaba descobrindo que nem toda paixão correspondida necessariamente dá certo.

O filme mergulha completamente no universo adolescente, mas encontra espaço para discutir essas questões com uma maturidade que acaba sendo muito bem-vinda. Sexo, consentimento, expectativas e relacionamentos aparecem naturalmente na história, sem transformar o longa em uma aula educativa quadrada ou perder o bom humor pelo caminho.
E, no meio de tudo isso, existe a amizade. A química entre as quatro protagonistas faz com que seja fácil comprar aquela relação e acompanhar suas inseguranças, brigas e descobertas. O longa entende que a adolescência consegue ser boba e complicada ao mesmo tempo – e encontra sua graça justamente nesse equilíbrio.
No fim, Era Uma Vez Minha 1ª Vez conquista pelo carisma e pela leveza com que aborda um assunto que esteve, está ou estará presente na vida de muita gente. Não é um filme revolucionário ou super inovador, mas sabe divertir enquanto aborda assuntos importantes, mirando em um público alvo certeiro.
Além disso, mais do que falar sobre perder a virgindade, o filme lembra que não existe uma corrida para chegar lá. Talvez a primeira vez não precise acontecer antes da faculdade, da formatura ou de qualquer prazo inventado. Afinal, algumas experiências simplesmente não merecem ter pressa.

