O segundo volume da temporada final de Stranger Things foi um dos momentos mais esperados do ano para muitos fãs. Ainda que entregue momentos marcantes, infelizmente falha nos dados e decepciona no conjunto.
20 Natural: os acertos do volume 2
Há cenas que empolgam bastante, fazendo com que os fãs pulem do sofá e celebrem, como um belo presente de Natal. Dentre elas, a da Senhora Wheeler finalmente assumindo uma postura mais badass, e Will Byers, finalmente demonstrando seu poder de maneira mais intensa.

Também podemos citar a fuga de Camazotz, que se destaca como uma das sequências mais visualmente impactantes deste segundo ato. São instantes que lembram o potencial da série e como esse universo ainda consegue ser vibrante.
Falha no teste: quando Stranger Things deixou a desejar
Ainda assim, os três episódios sofrem com um ritmo excessivamente lento e uma clara sensação de enrolação. A narrativa se arrasta, estica conflitos já resolvidos e dedica tempo demais a situações que pouco acrescentam ao desfecho da história. A impressão é de que boa parte do volume existe apenas para “encher linguiça” e justificar a duração inflada da temporada.

Outro ponto que pesa negativamente é a atuação de Millie Bobby Brown, que soa como a mais fraca de toda a série. Sua Eleven parece deslocada, sem energia ou envolvimento emocional, quase como se a atriz já não quisesse mais estar ali — sensação reforçada por um roteiro que também parece não saber o que fazer com a personagem, relegando-a a decisões apressadas e pouco inspiradas.
No saldo final, apesar de alguns acertos isolados e momentos de impacto, o segundo volume deixa a desejar. A despedida de Stranger Things merecia mais urgência, mais foco e, principalmente, mais respeito ao próprio tempo do espectador.
Ganhando inspiração: apelos de um fã
Ainda assim, é impossível ignorar que, mesmo com saldo negativo enquanto produto audiovisual, a série acerta ao tratar seus personagens com extremo carinho, quase como um abraço de despedida.

A cena em que Dustin e Steve finalmente se acertam, reacendendo uma das amizades mais queridas da série, emociona e relembram o auge da série. O término de Nancy e Jonathan, conduzido com amor e reciprocidade, entrega o respeito que os personagens merecem. O reencontro de Max com Lucas faz jus a um dos melhores casais da obra. E, por fim, o momento em que Will finalmente se abre para os amigos é uma passagem linda e genuinamente emocionante, que remota à grandiosidade da obra em abordar um assunto delicado na década de 80.
São cenas que se conectam com facilidade ao público fiel que acompanha Stranger Things há quase dez anos e reforçam sua importância como obra e produto cultural – uma série que, após cinco temporadas, ainda consegue tocar o coração de quem cresceu junto com ela.

