Dia 1: das páginas de Vitor Martins às telas

Baseado no livro de mesmo nome de Vitor Martins, Quinze Dias adapta a história de Felipe, um adolescente gay e gordo que abandonou a piscina – e muitas outras experiências – por vergonha do próprio corpo. Tudo muda quando Caio, um antigo vizinho com quem não falava há anos, precisa passar quinze dias em sua casa. Entre conversas, descobertas e sentimentos inesperados, nasce uma conexão que faz Felipe questionar se alguém como Caio poderia realmente se interessar por ele.
Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro que a gordofobia será um dos temas centrais da história, pois as inseguranças de Felipe moldam sua visão de mundo e o impedem de viver muitas das experiências que deseja. Ao mesmo tempo, a homofobia presente na família de Caio também ganha espaço na obra, sendo abordada de maneira sensível e culminando em alguns dos momentos mais emocionantes do longa. Dessa forma, no fim das contas, o preconceito se torna o verdadeiro antagonista da história.
Mas Quinze Dias não é um drama pesado. Pelo contrário: é um filme leve, divertido e extremamente acolhedor, sabendo deixar um quentinho no coração. Grande parte desse charme vem da mãe de Felipe, vivida por Debora Falabella, que entrega uma personagem carismática, amorosa e que representa um exemplo inspirador de apoio incondicional.
Dia 8: as melhores coisas de Quinze Dias

O grande destaque, porém, está na dupla formada por Miguel Lallo e Diego Lira. Eles incorporam os protagonistas Felipe e Caio como se os personagens fossem feitos justamente para eles – e talvez tenham sido. Os dois possuem uma química natural e encantadora, construindo uma relação que faz o público torcer do início ao fim. A transição de enemies para lovers acontece de forma gradual e genuína, tornando cada momento entre os personagens ainda mais especial.
A composição do título também surpreende em sua totalidade, ajudando a bolar uma identidade própria para a obra. A cenografia e as paletas de cores tornam toda a história mais agradável; a trilha sonora traz o filme para os dias atuais, com músicas que dão vida à história; e em diversos momentos, a obra adentra no imaginário de Felipe incorporando outros gêneros e filmes, deixando a experiência ainda mais fascinante. As referências à cultura pop e a clássicos LGBTQIA+, como Hairspray, enriquecem ainda mais a experiência.
Dia 15: amor, autoestima e pertencimento

O resultado é uma adaptação que honra o material original e, em muitos momentos, consegue até superá-lo. Quinze Dias é uma história sobre amor, autoestima e pertencimento, que quebra padrões ao colocar um protagonista gordo no centro de um romance adolescente sem transformá-lo em piada ou coadjuvante.
Assim como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho marcou uma geração, Quinze Dias tem tudo para se tornar uma nova referência do cinema LGBTQIA+ brasileiro. Um filme sensível, divertido e emocionante, capaz de arrancar lágrimas e sorrisos com a mesma facilidade.

