Por que agora todo mundo é fã de Deftones?

Jean Schmidt
Por que agora todo mundo é fã de Deftones?
Foto: Frank Maddocks/Divulgação

No final do ano passado a organização do Lollapalooza anunciou os nomes que iriam compor o line-up da 13ª edição do festival no Brasil. Dentre diversos artistas que estão traçando uma ascensão meteórica no mundo da música, como Sabrina Carpenter e Doechii, um nome antigo veio para povoar a plateia com os adolescentes dos anos 90: o Deftones.

Em meio a tantas novidades mais frescas no festival, a escolha do grupo não é aleatória. Isso se dá pois a banda conseguiu repetir o feito do início dos anos 2000, ainda na era do CD e da MTV, e angariar uma legião de novos fãs, agora com um empurrãozinho das redes sociais. 

Divulgação

Formação e consolidação

Em uma rápida pincelada, o Deftones foi formado em 1988, em Sacramento, na Califórnia, pelos jovens skatistas Stephen Carpenter, Chino Moreno e Abe Cunningham. Assim a banda se popularizou nos skateparks e no cenário da música underground californiana.

Os primeiros dois trabalhos do grupo, Adrenaline (1995) e Around the Fur (1997) marcaram a sonoridade pesada e melancólica do grupo, somada aos vocais gritantes de Moreno. Estes álbuns que, com o passar do tempo vieram a se tornar clássicos, definiram o que era o Deftones nessa primeira fase: jovens de 20 e poucos anos ansiosos, eufóricos e deslumbrados com o futuro. 

Seu terceiro projeto, White Pony (2000), foi o responsável por lançar o grupo na mira das grandes gravadoras. Aqui eles adicionaram o toque de shoegaze que faltava, trazendo músicas com uma atmosfera mais densa e sonhadora. Este é o caso de Change (in the House of Flies), a faixa mais ouvida do Deftones.

Explosão nas redes sociais

Recentemente, a banda passou a dominar também as redes sociais. Entre edits de filmes e séries, trends de moda alternativa ou vídeos estéticos muitas pessoas se conectaram com a vibe sombria e transcendental do Deftones. 

Essa conexão é interessante pois a ambiência entorpecida e os riffs agressivos das músicas se conectam com a melancolia e angústia da geração Z. Tudo isso, claro, é envolto pela nostalgia criada em torno do início dos anos 2000.

Assim, a banda não só se comunica esteticamente com o gosto dos jovens, mas também proporciona o escapismo que estes tanto buscam como resposta ao ritmo acelerado que veio com a internet. Essa nostalgia também trouxe outros grupos contemporâneos como Korn e Slipknot de volta para as playlists da juventude.

Private Music

Com 27 anos de história, o Deftones acumula 13 álbuns lançados, sendo o mais recente deles, Private Music, de agosto de 2025. Neste mais novo projeto, a banda manteve o tom que se comunica com as duas gerações de fãs.

O trabalho angariou críticas muito positivas pois apresenta uma banda com o mesmo vigor do seu início. As temáticas sentimentais e vocais hipnotizantes das músicas ainda conversam com os fãs mais jovens, e o instrumental pesado relembra o som clássico de 1995, que iniciou um novo momento no mundo da música após a queda do grunge.

Com isso o Deftones segue trazendo nostalgia, mas sem perder a sua originalidade. O disco soa como um aceno a diversos momentos da carreira, mas não falha em reforçar a vitalidade do grupo californiano.

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