One Piece: 2ª temporada navega entre fidelidade e mudanças

Julia Bomfim
One Piece: 2ª temporada navega entre fidelidade e mudanças
Foto: Netflix

O mangá One Piece, escrito por Eiichiro Oda, é publicado desde 1997 na revista Weekly Shonen Jump. Já a adaptação em anime, produzida pela Toei Animation, está no ar desde 1999. Ou seja: há décadas acompanhamos as aventuras do bando do chapéu de palha.

E foi justamente nesse oceano de popularidade que a Netflix enxergou uma oportunidade quase tão grande quanto o próprio tesouro do Rei dos Piratas. A trajetória do “menino que estica” já possuía uma base de fãs consolidada e pronta para navegar no streaming. A estratégia foi dupla: atualizar a presença da franquia na plataforma, através de uma dublagem cheia de personalidade e “molho” brasileiro, e transformar a narrativa para uma vertente mais “na moda”: o live-action.

Lançada em 2023, a série estrelada por Iñaki Godoy (Luffy), Emily Rudd (Nami), Mackenyu (Zoro) e Jacob Gibson (Usopp) rapidamente se tornou um dos sucessos do streaming. A recepção positiva, cerca de 86% em aprovação no Rotten Tomatoes, surpreendeu até os fãs mais cautelosos, aqueles que já estavam traumatizados com as adaptações de anime em live-action feitas pelo streaming.

A base de fãs elogiou desde a seleção do elenco, que encarnou em pele e osso os personagens, até o cuidado com a produção, incluindo as filmagens realizadas principalmente na África do Sul, onde foram construídos cenários marítimos e portos inteiros para recriar o universo da obra. Para muitos espectadores, a série conseguiu algo raro: quebrar a chamada “maldição” das adaptações live-action de animes.

Mas com a nova temporada, já disponível, a Netflix tinha uma missão clara: manter o espírito da obra original e, ao mesmo tempo, sustentar o alto nível técnico da produção.

Navegando pela Grand Line

Fazendo jus à jornada iniciada na primeira temporada, a busca pelo tesouro do Rei dos Piratas segue inabalável. A partir daqui, o bando avança na Grand Line pelos arcos de Loguetown, Whiskey Peak, Little Garden e Drum Island

É justamente nesses eventos que surge entre os aliados Nefertari Vivi (Charithra Chandran), princesa do reino de Alabasta que se infiltra na organização criminosa Baroque Works como Miss Wednesday, e também infiltrado, Mr. 8 (Yonda Thomas), capitão da guarda-real de Alabasta; Tony Tony Chopper (em CGI, mas por captura facial e voz original, pela Mikaela Hoover) rena médica que passa a integrar a tripulação; e Dr. Kureha (Katey Sagal) e Dr. Hiriluk (Mark Harelik), fundamentais para a história de origem de Chopper.

Ainda assim, como qualquer adaptação, algumas escolhas criativas chamaram atenção. Certos personagens e elementos da história aparecem mais cedo do que no material original, como a Nico Robin (Lera Abova), também conhecida como Miss All-Sunday, já apareceu com sua aura enigmática e braço direito do líder da organização Baroque Works, Crocodile/Mr. 0 (Joe Manganiello). Os demais membros da gangue Mr. 3 (David Dastmalchian), Miss Valentine (Jazzara Jaslyn), Mr. 5 (Camrus Johnson), Miss Monday (Chi Mhende) e Miss Goldenweek (Sophia Anne Caruso), também marcam presença na temporada.

E a Marinha ganhou novos rostos, com a estreia de Smoker (Callum Kerr) e Tashigi (Julia Rehwald), que passam a perseguir diretamente a tripulação de Luffy.

Do ponto de vista técnico, essa antecipação não comprometerá o enredo, mas também levanta discussões entre fãs sobre o equilíbrio entre fidelidade e adaptação.

Nesse ponto, a Netflix toca em uma de suas características mais conhecidas: quando tudo parece agradar o público, alguma mudança inesperada aparece no horizonte. Sabemos que transformar uma saga com mais de mil capítulos em algumas temporadas exige cortes, atalhos narrativos e, ocasionalmente, decisões que fazem os fãs (quase) terem um ataque miocárdio. Mas no fim das contas, adaptar One Piece para live-action é, em muitos aspectos, como navegar pela própria Grand Line: o mapa existe, mas o caminho até o tesouro ainda reserva muitas surpresas.

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