O Diabo Veste Prada 2 usa moda para falar da crise do jornalismo

O Diabo Veste Prada 2 usa moda para falar da crise do jornalismo
Foto: 20th Century Studios

Há sequências que vivem de nostalgia. O Diabo Veste Prada 2 escolhe outro caminho. Em vez de apenas reencontrar personagens queridos, o filme entende que o mundo mudou, e que Miranda Priestly e Andy Sachs precisavam mudar com ele.

E é justamente isso que torna a continuação mais interessante do que parecia.

Moda como porta de entrada para falar sobre jornalismo

O grande acerto do filme é usar a crise da revista Runway para discutir questões muito reconhecíveis do jornalismo contemporâneo.

Demissões em massa, redações esvaziadas, veículos absorvidos por conglomerados ou bilionários sem vínculo com a imprensa, pressão por conteúdo rápido moldado por redes sociais e até o avanço da inteligência artificial aparecem como parte do pano de fundo da narrativa.

Nada disso surge como discurso didático. Está incorporado à trama.

E funciona porque o filme entende que a crise da moda editorial é também uma crise maior da media.

Miranda e Andy agora precisam estar do mesmo lado

Talvez a melhor decisão do roteiro seja recusar repetir a dinâmica do original.

Em vez de recolocar Miranda e Andy como antagonistas, o filme equilibra essa balança. Agora elas precisam trabalhar juntas para salvar a Runway.

Meryl Streep volta impecável como Miranda Priestly, mas há algo novo na personagem: menos blindagem, mais vulnerabilidade.

Anne Hathaway encontra em Andy uma personagem amadurecida, mais segura e menos definida pela reação ao mundo de Miranda.

O reencontro das duas emociona justamente por não depender de repetição.

É outra fase da vida.

Emily Charlton cresce junto com o filme

Uma das atualizações mais interessantes está em Emily Blunt.

Emily Charlton retorna em nova posição, agora comandando a comunicação da Dior: um caminho que o filme reconhece como extensão possível do próprio jornalismo e da construção de narrativas.

É uma evolução inteligente para a personagem.

Ela continua afiada e cômica, mas ganha novo peso dentro do debate sobre comunicação, marcas e influência.

Comédia segue viva, mas o filme amadureceu

O humor permanece.

As trocas entre Miranda, Andy, Emily e Stanley Tucci como Nigel seguem afiadas, e o filme preserva o timing de comédia que fez o original funcionar.

Mas há um amadurecimento evidente.

A continuação troca parte da sátira pura por algo mais emocional, mais melancólico até, sem perder leveza.

E essa combinação funciona muito bem.

Lady Gaga aparece

A participação de Lady Gaga entra como extensão natural desse universo de moda, performance e imagem.

Ela adiciona energia ao filme e reforça o diálogo da sequência com um mercado de luxo ainda mais espetacularizado.

Um filme sobre profissão, amizade e sobrevivência

O mais interessante é que O Diabo Veste Prada 2 consegue ser um filme sobre moda e, ao mesmo tempo, um retrato bastante atual do jornalismo.

Sobre sobreviver a transformações.

Sobre entender que certos mundos acabam – e outros precisam ser reinventados.

Nesse processo, o filme reencontra suas protagonistas em outro lugar emocional, e isso dá peso ao retorno.

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