Desde que foi anunciada, Homem em Chamas carregava uma missão difícil: revisitar uma história eternizada por Denzel Washington sem parecer apenas uma versão estendida do filme de 2004. A série da Netflix encontra uma saída interessante ao seguir um caminho próprio, abandonando a estrutura clássica de vingança para mergulhar em um thriller de conspiração internacional que tem o Brasil como peça central da narrativa.
O resultado é uma produção competente que talvez não alcance a intensidade emocional do longa dirigido por Tony Scott, mas encontra sua própria identidade ao ampliar o universo criado por A. J. Quinnell.
Um Creasy diferente
Interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, John Creasy surge menos explosivo e mais introspectivo do que a versão vivida por Denzel Washington.
A série dedica mais tempo aos traumas, dúvidas e cicatrizes emocionais do personagem, transformando-o em uma peça dentro de uma trama muito maior do que ele próprio.
É uma abordagem diferente, mas que funciona graças à presença de Yahya, que evita imitações e constrói sua própria versão do protagonista.
O Brasil rouba a cena
O grande diferencial de Homem em Chamas está justamente em sua ambientação.
Em vez de concentrar toda a narrativa em uma missão de resgate ou vingança, a série mergulha em uma complexa rede de corrupção, interesses políticos e operações clandestinas que passam diretamente pelo Brasil.
A presença de Alice Braga ajuda a dar autenticidade a esse núcleo, enquanto a trama utiliza figuras políticas, organizações criminosas e conflitos institucionais para construir um cenário que raramente aparece com esse protagonismo em grandes produções internacionais.
Mais do que pano de fundo, o país se torna parte essencial do mistério.
A ação funciona, mas não é o principal atrativo
Quem procura sequências de ação constantes talvez encontre uma experiência diferente daquela prometida pelo título.
Existem perseguições, confrontos e momentos de tensão bem executados, mas a série claramente prioriza a investigação e a conspiração.
A ação é eficiente quando aparece, porém raramente assume o protagonismo da narrativa.
O foco está em descobrir quem manipula os acontecimentos nos bastidores e quais interesses estão em jogo.
Mais próxima de Jack Ryan do que do filme original
Essa talvez seja a melhor forma de definir a produção.
Apesar do nome familiar, Homem em Chamas funciona mais como um thriller político na linha de Jack Ryan, The Night Agent e Homeland do que como uma adaptação direta do longa estrelado por Denzel Washington.
A série aposta em organizações secretas, jogos de poder e investigações internacionais, ampliando significativamente a escala da história.

