DIG Raiders tem personalidade demais e identidade de menos

DIG Raiders tem personalidade demais e identidade de menos
Imagem: Soda Game Studio

É difícil definir exatamente o que DIG Raiders: Anomaly Extraction quer ser. Desenvolvido pela Soda Game Studio e publicado com o apoio da Infini Fun, o título mistura ação, aventura, simulação e extração em uma experiência que parece ter sido construída a partir de várias ideias diferentes.

A proposta, pelo menos no papel, é simples: entrar em áreas perigosas, cavar o terreno, encontrar recursos e tecnologia alienígena e voltar com tudo o que conseguir carregar. O dinheiro obtido serve para melhorar seus equipamentos e, principalmente, lidar com uma dívida gigantesca que acompanha o jogador desde o começo.

A estrutura funciona como um ciclo bastante tradicional de exploração. Você entra, coleta, vende, melhora seus equipamentos e tenta avançar cada vez mais. O problema é que, conforme a experiência avança, algumas escolhas de design começam a chamar mais atenção do que a própria diversão.

Cavar, vender e tentar sobreviver

Logo no início, é possível escolher entre alguns personagens e diferentes modos de jogo. Para quem pretende jogar sozinho, porém, a campanha acaba sendo o caminho mais natural.

A mineração é o coração da experiência. A picareta permite encontrar materiais e objetos que podem ser vendidos posteriormente, enquanto o dinheiro acumulado abre espaço para melhorias como maior capacidade de inventário, equipamentos melhores e aprimoramentos para o personagem.

Também existem habilidades que podem ser adquiridas com o chamado Plague Doctor, criando mais possibilidades para lidar com os perigos encontrados durante as expedições. O sistema de progressão tem potencial, principalmente porque deixa claro que cada incursão pode ajudar a tornar a próxima um pouco mais fácil.

Além dos recursos, algumas etapas exigem enfrentar criaturas alienígenas e resolver determinados desafios para conseguir DNA. Esse material pode ser utilizado de diferentes maneiras e acrescenta mais uma camada ao sistema de progressão.

O problema é que nem sempre essas mecânicas parecem tão bem conectadas quanto poderiam. Há situações em que a interação com objetos simplesmente não responde de primeira, obrigando o jogador a tentar novamente ou encontrar um ângulo específico para conseguir realizar uma ação.

São pequenos problemas que, isoladamente, não seriam suficientes para comprometer uma experiência inteira. Quando aparecem repetidamente, porém, começam a quebrar o ritmo.

Uma estética que não sabe muito bem para onde ir

Visualmente, DIG Raiders: Anomaly Extraction apresenta um resultado funcional, com movimentações relativamente suaves e ambientes que cumprem seu papel. Ainda assim, falta ao conjunto uma identidade visual realmente marcante.

Alguns personagens e objetos parecem seguir ideias bastante diferentes entre si, criando uma apresentação que combina elementos futuristas com situações propositalmente absurdas. Em certos momentos, essa estranheza pode ser engraçada. Em outros, dá a impressão de que o jogo ainda está tentando descobrir qual deveria ser sua personalidade.

Isso fica especialmente evidente nos personagens e em alguns elementos espalhados pelos cenários. A intenção de apostar no humor existe, mas nem sempre as piadas visuais conseguem funcionar da maneira esperada.

E talvez seja justamente essa falta de direção que melhor representa a experiência: há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas poucas conseguem deixar uma impressão realmente duradoura.

O áudio acompanha a confusão

O trabalho sonoro segue uma linha parecida. Alguns efeitos funcionam bem e ajudam a dar peso às ações do jogador, mas existe uma repetição perceptível em determinadas interações.

Ao mesmo tempo, o jogo parece se divertir bastante com sons inesperados. Animais, por exemplo, podem produzir efeitos completamente exagerados quando são atingidos, criando momentos tão absurdos que acabam sendo engraçados justamente por não combinarem com a situação.

É uma escolha que reforça o humor nonsense do título, embora também contribua para a sensação de que DIG Raiders está constantemente tentando surpreender o jogador com alguma coisa aleatória.

Quando avançar deixa de ser divertido

Um dos maiores problemas aparece na longevidade e no ritmo da campanha.

Em determinado momento, o jogo começa a exigir que o jogador atravesse áreas mais labirínticas para encontrar três chaves necessárias para continuar. A ideia poderia funcionar como uma forma de incentivar exploração, mas a execução transforma o processo em uma tarefa repetitiva.

Depois de algumas horas, a sensação de descoberta começa a ser substituída pela de obrigação. Em vez de pensar em qual será a próxima coisa interessante encontrada durante a expedição, o jogador passa a pensar apenas em terminar aquela área.

Isso pesa ainda mais quando a experiência é jogada sozinho. Com outras pessoas, a natureza caótica de DIG Raiders pode acabar sendo mais divertida, já que situações estranhas e momentos inesperados costumam funcionar melhor quando compartilhados.

Sozinho, entretanto, boa parte dessa aleatoriedade perde força e deixa mais evidente a repetição presente na estrutura.

Uma ideia divertida que precisava de mais refinamento

DIG Raiders: Anomaly Extraction possui uma premissa curiosa e algumas mecânicas capazes de render bons momentos. A combinação de mineração, exploração, progressão e extração poderia formar uma experiência bastante interessante.

O problema é que o jogo parece não ter conseguido transformar todas essas ideias em um conjunto coeso. Falhas de interação, escolhas visuais pouco consistentes e momentos excessivamente repetitivos acabam diminuindo o impacto da proposta.

Existe diversão aqui, principalmente para quem gosta de experiências cooperativas estranhas e não se importa em lidar com algumas arestas. Porém, para quem procura uma experiência mais polida e consistente, é difícil ignorar os sinais de que o projeto ainda precisava de mais trabalho.

No fim, DIG Raiders: Anomaly Extraction é aquele tipo de jogo que consegue arrancar algumas risadas justamente por ser tão peculiar, mas que também deixa a sensação de que poderia ter ido muito mais longe. A mistura de mineração e tecnologia alienígena é curiosa, porém o caos nem sempre joga a favor da aventura.

Next Post

Era Uma Vez Minha 1ª Vez encontra maturidade no clichê teen

Filmes sobre as descobertas e vivências da adolescência estão longe de ser novidade. Era Uma Vez Minha 1ª Vez, entretanto, consegue trazer um certo frescor para essa fórmula. Claudia Castro dirige o longa, que adapta o livro de Thalita Rebouças e abraça aquela clássica vibe teen de forma divertida. Porém, […]
Era Uma Vez Minha 1ª Vez encontra maturidade no clichê teen