Na CCXP25, a Jambô Editora levou um dos segmentos mais curiosos – e empolgantes – do seu catálogo: os livros-jogos.
Afinal, o que é um livro-jogo?
Aqueles que assistiram a Black Mirror – Bandersnatch podem se lembrar facilmente do conceito, uma história no melhor estilo RPG, onde a trama segue a partir das escolhas do leitor/jogador. Um livro-jogo é, basicamente, uma aventura de RPG solo, em que você vai lendo o livro e, ao longo da trama, vai tendo que escolher as ações do personagem, o que impactará toda a história. Por exemplo: se você quiser conversar com o monstro, vá para a página 42; se quiser lutar com ele, vá para a página 65.

Para muitos visitantes, esse foi o primeiro contato com o formato, e justamente por isso o estande se tornou um ponto de descoberta. Segundo Bruno Martins, vendedor da Jambô, ainda existe um desconhecimento geral sobre o que exatamente é um livro-jogo, mas isso não impediu o interesse de crescer.
Bruno conta que a reação mais comum do público é a surpresa: “É um livro que tu joga?”. Para muita gente, é novidade poder ler uma aventura de RPG que avança conforme as decisões do jogador, sem depender de um grupo, mestre ou horário marcado. O vendedor faz questão de reforçar a simplicidade do formato: papel, caneta e dois dados – isso basta para embarcar no jogo. E, para um público acostumado a produtos complexos, caros ou que exigem tempo de organização, essa autonomia vira um diferencial.
Os livros-jogos em suas mais variadas temáticas
Mesmo sendo um nicho, o mercado está se expandindo. Só no último ano, a Jambô lançou novos volumes da trilogia Magia e mais alguns títulos adicionais. O crescimento também é impulsionado pela visibilidade que grandes nomes dão ao formato. Como exemplo, é possível citar os dois livros-jogos do Jovem Nerd: A Coroa de Ghanor e O Enigma do Sol Oculto. Ambos tiveram um salto expressivo de vendas graças ao público fiel do portal, com jogadores de RPG que procuram campanhas ricas, cheias de mistério e múltiplas possibilidades.

Quando o assunto é preferência de temas, a fantasia segue soberana, com títulos como a saga Fighting Fantasy entre os mais vendidos. Mas terror e investigação também atraem muita gente, como no caso do já citado O Enigma do Sol Oculto. Ao atender tanto iniciantes quanto veteranos, a Jambô consegue dialogar com públicos distintos: quem está começando no RPG se encanta com a independência e acessibilidade do livro-jogo, enquanto jogadores experientes procuram obras mais robustas, como A Coroa de Ghanor e Deus da Guerra.
Além disso, outros títulos muito populares são as reinvenções de clássicos, como o livro-jogo Drácula: A Vingança do Vampiro, e os peculiares Alice no País dos Pesadelos, O Maligno Mágico de Oz e Terra do Nuncassauro.
Infinitas possibilidades
Um ponto que gera dúvida nos novos leitores é se os livros precisam ser lidos em ordem, já que são pequenos. Bruno explica que a maioria deles é independente, tirando algumas exceções. E indica que, apesar do tamanho, cada livro oferece horas de conteúdo e múltiplas possibilidades de história, o que incentiva os jogadores a lerem mais de uma vez – no caso, focando em novos caminhos. Já os mais experientes chegam pedindo diretamente os títulos maiores – especialmente aqueles com volume de escolhas quase infinito.

A Jambô também vê o livro-jogo como porta de entrada para o RPG tradicional. Para quem hesita em investir em um hobby caro, o livro-jogo oferece um primeiro contato acessível, permitindo experimentar a dinâmica de escolhas, fichas e imersão narrativa antes de adquirir um sistema completo, como Tormenta ou Dungeons and Dragons.
O futuro dos livros-jogos
Mesmo com aplicativos narrativos, experiências digitais e inteligência artificial crescendo no mercado, Bruno acredita que os livros-jogos em papel continuam imbatíveis. O toque físico, o ato de folhear, fazer anotações e ter o livro ali, presente, reforça a conexão com a história. No RPG, então, a presença física é quase sagrada para os jogadores veteranos – uma experiência difícil de substituir.

Para o futuro, Bruno imagina um crescimento impulsionado por diversidade temática. Terror, investigação, fantasia… tudo isso já existe, mas ainda em volume pequeno. Ele acredita que ampliar o catálogo, trazendo mais autores e mais estilos, pode tornar o mercado brasileiro de livro-jogo ainda mais forte. E, como consumidor, ele mesmo admite que adoraria ver novas obras de certos universos que já conquistaram o público.
Com a boa recepção na CCXP25 e o interesse crescente, os livro-jogos da Jambô mostram que têm espaço garantido no coração (e na prateleira) do público nerd. Uma mídia que une nostalgia, interatividade e imaginação – e que está brilhando cada vez mais.

