A Ilha Esquecida parte de uma aventura fantástica para contar uma história humana sobre amizade, despedidas e tudo aquilo que duas pessoas constroem quando crescem juntas. A nova animação da DreamWorks acompanha Jo e Raissa, amigas desde a infância que precisam encarar a possibilidade de seguir caminhos diferentes após a conclusão do ensino médio.
Antes que consigam lidar com essa separação, as duas atravessam um portal e chegam à ilha de Nakali, onde encontram criaturas inspiradas na mitologia filipina. Para voltar à própria realidade, porém, as meninas precisam negociar com uma criatura mágica que exige suas memórias como pagamento pela passagem.
Uma amizade colocada à prova
A relação entre Jo e Raissa é o coração do filme. Mais do que apresentar as personagens como inseparáveis, a narrativa mostra como experiências, pequenos gestos e lembranças compartilhadas formaram essa amizade ao longo dos anos. A possibilidade de entregar essas memórias torna o retorno para casa uma escolha dolorosa.
O conflito ganha grande peso emocional porque as protagonistas não correm apenas o risco de esquecer acontecimentos isolados. Ao abrir mão das lembranças que compartilham, elas podem perder a percepção do que representam uma para a outra. A aventura passa, então, a discutir quanto vale uma amizade e até onde alguém iria para preservar a história construída ao lado de uma pessoa querida.
Beleza visual e mitologia filipina
Visualmente, A Ilha Esquecida é uma animação muito bonita. As cores vibrantes, os cenários detalhados e as mudanças de estilo ajudam a estabelecer Nakali como um lugar encantador, imprevisível e perigoso. As sequências movimentadas mantêm a energia elevada, enquanto os momentos mais silenciosos permitem que o vínculo entre Jo e Raissa ocupe o centro da narrativa.
A presença da mitologia filipina também confere personalidade ao universo. As criaturas, os ambientes e as histórias transmitidas pelas famílias das protagonistas aproximam fantasia e ancestralidade. O filme mostra, assim, que as memórias não pertencem somente aos indivíduos: elas também conectam gerações e ajudam a conservar identidades culturais.
Clássicos embalam a jornada
Outro destaque é a ótima trilha sonora, formada por clássicos das décadas de 1980 e 1990. As músicas ajudam a definir o período, ampliam a atmosfera nostálgica e acompanham as diferentes fases da amizade entre as protagonistas. “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds, ganha um significado especialmente adequado diante da escolha imposta às duas amigas.
No fim, A Ilha Esquecida encontra sua maior força na pergunta que move sua reta final: voltar para casa ainda teria o mesmo significado se fosse necessário esquecer quem esteve ao seu lado durante toda a jornada? Com uma animação visualmente marcante, excelente trilha sonora e uma história carregada de afeto, o filme converte suas memórias compartilhadas em uma emocionante declaração sobre amizade.

