Ace Combat 8: Wings of Theve faz dos céus o seu playground

Imagem: Bandai Namco Aces

Existe um tipo muito específico de jogo que consegue fazer você se sentir poderoso sem exigir que você seja um especialista. Ace Combat 8: Wings of Theve é exatamente assim. Mesmo sem conhecer profundamente a franquia, bastaram algumas missões para entender por que os combates aéreos da série conquistaram tantos jogadores ao longo dos anos.

O novo capítulo coloca o jogador no cockpit de alguns dos caças mais impressionantes do mundo e aposta em uma mistura bastante eficiente de ação, estratégia e espetáculo cinematográfico. Não é uma simulação militar que exige conhecimento sobre cada instrumento do avião, mas também está longe de ser apenas um jogo de tiro com aviões.

E é justamente nesse meio-termo que Ace Combat 8 encontra sua identidade.

Entre mísseis, explosões e muito estilo

A primeira coisa que chama atenção em Wings of Theve é o quanto o jogo entende que pilotar um caça precisa ser divertido.

As missões colocam o jogador em situações bastante variadas, começando com combates aéreos mais tradicionais e avançando para operações de escolta, ataques contra alvos terrestres, situações de emergência e confrontos que parecem ter saído diretamente de um blockbuster de ação.

A campanha também não economiza no espetáculo. Há momentos em que você está voando tranquilamente sobre uma paisagem gigantesca e, segundos depois, o céu está tomado por explosões, mísseis e dezenas de aeronaves.

É exagerado? Com certeza.

Mas Ace Combat nunca parece interessado em ser completamente realista. A proposta está muito mais próxima de uma fantasia militar cinematográfica, e isso funciona muito bem.

A própria narrativa abraça essa característica. De um lado, temos conflitos políticos, guerras, perdas e personagens discutindo as consequências de um conflito armado. Do outro, existe um piloto praticamente invencível realizando manobras absurdas enquanto derruba uma quantidade inacreditável de aeronaves.

Essa contradição poderia ser estranha, mas acaba fazendo parte do charme da franquia.

Fácil de começar, difícil de dominar

Uma das minhas maiores preocupações ao entrar em Ace Combat 8 era justamente não saber praticamente nada sobre a série.

Felizmente, o jogo não exige que você seja um piloto experiente para começar a se divertir.

Existem diferentes níveis de dificuldade e opções de controle que permitem escolher entre uma experiência mais acessível ou uma movimentação que exige um pouco mais de atenção à física da aeronave.

Essa diferença fica especialmente perceptível nas curvas.

Com o controle mais próximo da simulação, você precisa trabalhar melhor a inclinação do avião antes de realizar determinadas manobras. Já a alternativa mais simples deixa tudo muito mais direto, permitindo que o jogador pense menos na aeronave e mais no combate.

Eu gostei bastante dessa liberdade porque ela permite que Ace Combat 8 seja simultaneamente uma porta de entrada para iniciantes e um playground para quem já conhece a franquia.

Não existe aquela sensação de que você precisa passar horas estudando um manual antes de conseguir aproveitar o jogo.

Um espetáculo no céu

Se existe um aspecto em que Wings of Theve realmente impressiona, é na apresentação.

Os aviões são detalhados, os cenários são enormes e existe uma preocupação evidente em fazer cada missão parecer um grande acontecimento.

As paisagens também ajudam muito. Voar sobre cidades, montanhas, oceanos e áreas devastadas pela guerra cria uma sensação constante de escala.

E então existem os replays.

Depois de uma missão particularmente caótica, assistir às suas próprias manobras por diferentes ângulos é uma das pequenas coisas que tornam o jogo ainda mais divertido. É quase como assistir a uma cena de filme em que, por algum motivo, você foi responsável por todas as explosões.

Esse cuidado também reforça uma característica importante de Ace Combat: os aviões não são apenas ferramentas de gameplay. Eles são parte do espetáculo.

Existe uma satisfação genuína em desbloquear uma nova aeronave, observar seus detalhes e depois colocá-la à prova em uma missão.

Uma guerra para quem chegou agora

A história pode ser um pouco mais complicada para quem, assim como eu, não acompanhou a franquia desde os primeiros jogos.

Ace Combat construiu ao longo dos anos um universo próprio, com países, conflitos e acontecimentos que possuem importância dentro da mitologia da série. Wings of Theve não abandona esse legado, então algumas informações podem parecer jogadas na sua direção rapidamente.

Depois que você começa a entender quem está lutando contra quem e qual é o papel de cada personagem, entretanto, a narrativa fica bem mais fácil de acompanhar.

O protagonista é novamente um piloto silencioso, enquanto os personagens ao seu redor carregam boa parte da personalidade da campanha.

E o esquadrão é um dos pontos que mais funcionam.

Os companheiros possuem personalidades diferentes e ajudam a transformar as missões em algo mais do que simplesmente destruir tudo que aparece na tela. Além disso, poder dar ordens durante os combates faz com que eles tenham uma participação mais ativa.

Não estamos falando de uma inteligência artificial revolucionária, mas ela cumpre bem o papel de transformar o esquadrão em algo útil durante as batalhas.

A estratégia começa antes da decolagem

Apesar de toda a adrenalina, existe uma camada estratégica interessante em Ace Combat 8.

Antes de determinadas missões, escolher o avião e os equipamentos adequados pode fazer bastante diferença. Conforme avançamos, também conseguimos desbloquear melhorias, novas aeronaves e diferentes recursos para adaptar o nosso arsenal.

Isso cria uma progressão bastante satisfatória.

Você começa pensando apenas em sobreviver às missões e, algumas horas depois, já está analisando qual aeronave combina melhor com determinado objetivo.

O sistema não tenta transformar Ace Combat em um RPG extremamente complexo, mas oferece decisões suficientes para que a evolução do esquadrão tenha importância.

É aquele tipo de sistema que você pode ignorar parcialmente se quiser, mas que recompensa quem decide prestar atenção.

O problema está no ritmo

Nem tudo funciona perfeitamente.

Meu principal incômodo durante a campanha ficou por conta dos checkpoints.

Algumas missões são relativamente longas e podem levar um bom tempo para serem concluídas. Quando você acaba falhando perto do final, precisar repetir uma parte considerável da missão pode ser frustrante.

O problema fica ainda mais evidente quando determinados diálogos precisam ser ouvidos novamente.

Não chega a comprometer a experiência, mas é uma decisão que poderia ter sido melhor ajustada para evitar que uma derrota transforme uma missão divertida em uma tarefa repetitiva.

Felizmente, os momentos de combate costumam ser tão bons que a irritação passa rapidamente.

Vale a pena jogar Ace Combat 8: Wings of Theve?

Sim, principalmente se você sempre teve curiosidade pela franquia, mas nunca encontrou uma oportunidade para começar.

Ace Combat 8: Wings of Theve consegue equilibrar muito bem acessibilidade e profundidade. Você pode simplesmente entrar no avião, acelerar e começar a explodir inimigos, mas também existe espaço para quem quiser entender melhor os controles, estudar as aeronaves e pensar cuidadosamente em sua estratégia.

A campanha ainda entrega uma boa variedade de situações, enquanto os gráficos e a direção das missões fazem praticamente cada combate parecer um grande espetáculo.

Para os veteranos, é uma nova aventura dentro de um universo que já possui décadas de história. Para novatos, funciona como uma excelente apresentação do que torna Ace Combat tão especial.

Wings of Theve me deixou com um problema bastante específico: a vontade de conhecer o restante da franquia.

E quando uma sequência consegue fazer um jogador novato terminar a campanha querendo voltar para os jogos anteriores, provavelmente alguma coisa foi feita muito certa.

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