Deixando a imparcialidade um pouquinho de lado, é importante começar esta crítica com uma confissão: aquele que vos fala é fanático por histórias com dinossauros e, ao mesmo tempo, um grande fã de Anne Hathaway. E O Fim da Rua, um dos vários filmes da atriz lançados neste ano, coloca justamente Hathaway no meio de um universo repleto de seres pré-históricos.
Parece a combinação perfeita, certo? Mas será que juntar essas duas coisas é suficiente para fazer um grande filme?
Uma nova abordagem pré história n’O Fim da Rua
A história acompanha a família Platt na década de 1980, já trazendo aquela nostalgia oitentista com clima e estética próprios. A família está em crise, mas tudo fica pior quando um misterioso evento cósmico faz com que um bairro inteiro seja transportado para um mundo pré-histórico, repleto de dinossauros e outras criaturas bizarras que parecem ter saído diretamente dos livros de História. Agora, os Platt precisam permanecer unidos para sobreviver e encontrar uma maneira de voltar para casa.
Além de Anne Hathaway, o protagonismo é brilhantemente completado por Ewan McGregor, como o pai da família, enquanto Maisy Stella (Minha Vida com a Família Walter) e Christian Convery (Sweet Tooth) vivem os filhos. Cada um tem uma personalidade bem marcante, e isso cria uma dinâmica familiar que funciona muito bem. Em pouco tempo, o público se sente à vontade ao lado deles e passa a torcer por cada membro da família – que vai se unindo, aos poucos.

Conforme a aventura avança, O Fim da Rua encontra uma mistura muito gostosa de suspense, ação, drama e comédia. São gêneros que facilmente poderiam disputar espaço dentro do filme, mas aqui a direção faz com que convivam em harmonia. Em um momento, estamos tensos com algo a espreita; segundos depois, caímos na gargalhada. Vibramos com uma sequência de ação e, pouco depois, sentimos o peso de um momento mais dramático. E essa troca constante de emoções ajuda bastante a manter o interesse na história.
Outro acerto está justamente naquilo que viemos ver: as criaturas. Em vez de apostar apenas nos mesmos dinossauros que já apareceram incontáveis vezes no cinema, o filme apresenta uma variedade bem interessante de seres pré-históricos. Temos criaturas que lembram jiboias gigantes, dinossauros peludos, outros com asas, e até uns que parecem uma mistura de dinossauro com jacaré andando sobre duas patas. É um mundo estranho, perigoso e fascinante – e que dá vontade de conhecer cada vez mais. Porém talvez seja justamente aí que esteja o maior problema de O Fim da Rua: a gente queria ter visto mais.
A rua que chega ao fim cedo demais
Com um universo tão interessante, o filme perde a oportunidade de explorar melhor essa aventura que, o que tem de perigosa, tem de fascinante. Em alguns momentos, parece até que existe uma pressa para chegar à solução, quando passar mais tempo naquele mundo pré-histórico poderia acrescentar muito à história, aos personagens e à própria sensação de perigo. Quando tudo termina, sobra aquele gostinho de “já acabou?, que é intensificado por um clímax fraco e corrido. Não chega a ser uma decepção, porque a experiência funciona, mas também impede que o filme se torne realmente memorável.
No fim das contas, O Fim da Rua funciona muito bem como uma aventura despretensiosa. Talvez não seja aquele filme grandioso que continuará sendo lembrado daqui a muitos anos, mas consegue divertir e proporcionar um tempo gostoso na sala de cinema – ou, futuramente, no sofá de casa. E, se essa era a proposta, deu certo. Afinal, nem todo filme precisa mudar o cinema ou deixar uma grande marca. Às vezes, tudo o que queremos é sentar, acompanhar uma família fugindo de dinossauros por algumas horas e simplesmente nos divertir. E não há nada de errado nisso, não é?

