Among Us: o impostor habita uma ótima adaptação

Among Us: o impostor habita uma ótima adaptação
Foto: Paramount+

Among Us é mais uma surpresa no catálogo do Paramount+, e uma bastante agradável, por sinal. Inspirada no fenômeno dos games, a animação acerta ao transformar uma ideia extremamente simples em um universo cheio de personalidade, humor e um mistério excelente.

Os mundos de Among Us

Antes de tudo, o mundo construído pela série é curioso desde o primeiro minuto: todos os personagens possuem mãos flutuantes, um visor no lugar do rosto e mochilas coloridas que funcionam como suas roupas. Visualmente, a única diferença entre eles é a cor. Ainda assim, a obra faz um excelente trabalho ao construir personalidades completamente diferentes e bastante memoráveis.

Temos um capitão obcecado por fazer tudo da maneira correta, sempre com medo de errar; uma chefe da segurança completamente ressentida com a empresa abusiva para a qual trabalha; um estagiário novato encantado com o universo das viagens espaciais; além de vários outros tripulantes que tornam a dinâmica do grupo divertida e imprevisível. É justamente essa grande variedade de personalidades que dá vida à trama.

Outro destaque é o elenco de vozes, que vive despertando aquela sensação de “eu conheço essa voz de algum lugar“. Ashley Johnson, a Pike de A Lenda de Vox Machina; Yvette Nicole Brown, a inesquecível Shirley de Community; e Randall Park – eternamente lembrado como o “Jim” de The Office (piada pronta) – são apenas alguns dos nomes que enriquecem o elenco.

“Quem é o impostor?” ainda como tema central

Mas o grande trunfo da série é o ser um whodunnit animado que encanta mais do que muitos outros em live-action. A série constrói muito bem o mistério em torno da identidade do impostor, fazendo o público — tal qual os personagens — desconfiar de todos durante a temporada, como sempre aconteceu nas melhores partidas do jogo. É aquele tipo de narrativa que transforma cada conversa, cada comportamento estranho e cada acusação em uma nova pista.

E, falando no jogo, a adaptação demonstra um enorme respeito pelo material original. Em vez de apenas utilizar a marca, a produção encontra maneiras criativas e inteligentes de incorporar praticamente tudo aquilo que tornou Among Us um fenômeno. Estão lá o deslocamento pelos dutos de ventilação, o clássico botão de emergência que convoca uma reunião, as discussões para descobrir o impostor, a ejeção de suspeitos para o espaço, a sala de câmeras e até a correria caótica dos tripulantes esbarrando uns nos outros enquanto tentam cumprir suas tarefas. São detalhes que parecem pequenos, mas que fazem toda a diferença. Com isso, o universo é expandido, mas sem perder a essência dos jogos.

Com episódios de cerca de 13 minutos, Among Us é extremamente fácil de maratonar. São apenas dez capítulos que passam voando, funcionando quase como um filme dividido em pequenas partes. Divertida, inteligente e muito mais criativa do que parece à primeira vista, a atração respeita o material original, adapta tudo o que podia ser adaptado de forma criativa e consegue construir algo maior, mais rico e, principalmente, muito divertido.

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