Vitor Cafaggi comenta última edição de Valente e jogo inspirado na obra

Oito anos depois de começar a publicar as primeiras tiras de Valente no jornal O Globo, Vitor Cafaggi anunciou um jogo de mesa sobre o cãozinho paquerador e informou que seu último livro será lançado na Comic Con Experience 2018. Claro que nós aproveitamos esses anúncios para trocar uma ideia com o Vitor. Saca só como foi!

Boletim Nerd: Vitor, quando você começou a escrever as primeiras tiras do Valente para o jornal O Globo, você esperava que a série durasse tanto tempo e fizesse tanto sucesso?

Vitor Cafaggi: Quando o Globo me convidou para criar uma tirinha pra eles, foi tudo muito rápido. Eu tinha tão pouco tempo pra criar a tira, que meu único pensamento, fora a história do que seria essa tirinha, era que ela fosse aprovada. Então, eu não tinha expectativa quanto à duração dela. Eu não visualizava um fim ainda e ao mesmo tempo sabia que não duraria para sempre. Sobre o sucesso, também era uma coisa que não me passava pela cabeça naquele momento. Como eu disse, já seria um sucesso se o jornal aprovasse e ela fosse publicada.

BN: Ano que vem, Valente chegará aos Estados Unidos com o nome Vincent. A sensação de ter um material publicado por lá é parecida com a sensação de lançar quadrinhos aqui no Brasil ou a ansiedade é maior?

VC: É uma situação bem diferente. Meu desejo para a publicação do Valente lá fora é só de que ele seja bem recebido. Não acho que ele vai vender muito, nem vai se tornar um personagem conhecido, mas espero que algumas pessoas leiam e que entre essas pessoas, algumas gostem e queiram continuar lendo. Publicar no Brasil foi diferente porque aqui, quando eu lancei a primeira coletânea de tirinhas, ainda de forma independente, o Valente já tinha um pequeno público formado por conta do meu blog e do próprio jornal.

BN: Quem lê as tiras logo percebe que Valente tem muito de Vitor Cafaggi, isso gera algum tipo de insegurança na hora de fazer os quadrinhos e mostrar para o público?

VC: A sensação que tenho sempre que vou publicar um quadrinho novo é de estar dando minha cara a tapa. Sempre. Em todos. Todas as minhas histórias têm muito de mim. Sempre me exponho muito nelas. E, claro, com o Valente isso acontece ainda mais. A insegurança tá sempre comigo. Mas acho que enquanto eu continuar sendo sincero comigo mesmo, em tudo que faço, vai ficar tudo bem. Na verdade, a insegurança é até um fator positivo pra mim, já que por conta dela, eu tô sempre tentando fazer o meu melhor.

BN: Agora que Valente está chegando ao seu último número, qual a sensação que você tem quando para pra pensar em toda a trajetória do personagem?

VC: Ainda não cheguei nas últimas tirinhas. Acho que realmente vou ter uma sensação diferente fazendo elas. Pelo menos foi assim com Lembranças, a última Graphic MSP da Turma da Mônica que fiz com minha irmã.

BN: As tiras do Valente sempre provocam um mix de emoções nos leitores. A gente ri, se emociona e, principalmente, se identifica com as situações. O último livro terá um clima diferente?

VC: Acho que nesse último livro teremos esse mix de emoções também. Talvez até mais por ser o último livro. Desde antes do livro ser lançado já tá rolando esse mix. Muita gente fala comigo que tá ansiosa pra ler o final, mas, ao mesmo tempo, não quer que acabe.

BN: Você começou uma campanha de financiamento coletivo de “Valente – o amor em jogo”*. O que o público pode esperar desse jogo de mesa? Pode nos adiantar alguma coisinha pra aumentar a nossa curiosidade?

VC: É um jogo de mesa onde o coração do Valente está dividido entre Dama e Princesa. Os jogadores vão montar histórias e essas histórias vão guiar o coração do Valente. É como se a história se passasse no meio do segundo livro. Bem no momento que Valente, mais do que nunca, não sabe o que fazer. Tô desenvolvendo toda a parte visual do jogo. A Geeks N’ Orcs criou a mecânica do jogo. Juntos, estamos tentando fazer o jogo mais divertido e bonito que conseguirmos.*

BN: Além do jogo de mesa, você gostaria de ver o Valente ganhando outras mídias? Quais?

VC: Eu adoraria ver o Valente como um jogo de RPG e como uma animação. Torço pra que esses dois aconteçam algum dia e que sejam realizados por pessoas que gostam, se identificam e conhecem realmente o personagem.

BN: E, pra finalizar, você já está trabalhando em algum outro projeto ou vai fazer uma pausa após o lançamento do livro e do jogo do Valente?

VC: Tenho várias ideias para novos projetos, mas só vou começar a trabalhar neles no ano que vem. Quero dar uma pausa de alguns meses. Colocar essas ideias no lugar, me reciclar um pouco, estudar, aprender coisas novas, pra só aí começar a colocar esse novo projeto em prática.

*A campanha de financiamento coletivo para Valente – o amor em jogo começou oficialmente em 11 de setembro. No mesmo dia, Vitor atingiu a meta estipulada para a produção do jogo e hoje, o projeto conta com mais de 280 apoiadores que desejam desbloquear os conteúdos exclusivos para os contribuintes da plataforma Catarse. Você pode conhecer melhor a campanha (e apoiar) clicando aqui.

Comentários

Daniel Generalli

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo, nerd de nascimento e ganhador do troféu HQMix pelo TCC "Vozes e Traços - O Novo Cenário Brasileiro de HQs".

Comentários estão fechados.