Review – Elektra: Assassina

Ao lado de Batman: O Cavaleiro das Trevas e Demolidor: A Queda de Murdock, a minissérie Elektra: Assassina está entre os maiores, mais inovadores e importantes trabalhos de Frank Miller – uma lenda no mundo dos quadrinhos. Desenvolvido com o intuito de definir a personagem idealizada por Miller (enquanto comandava os gibis do Demolidor), o arco coloca em ação todo potencial da ninja, percorrendo seu passado e marcando suas principais características, assim como faz críticas a figuras políticas e a departamentos governamentais.

Uma experiência visual possivelmente sem precedentes, Elektra: Assassina é uma obra-prima de Bill Sienkiewicz (Superman: Dia do Juízo Final), tão inspirado a ponto de recorrer à pintura, fotocópias coloridas, xeroxes, guardanapos, grampos e até linhas de costura para produzir as ilustrações das oito edições da saga e alcançar o surrealismo pretendido por Frank Miller. Deste modo, as HQs possibilitam aos leitores uma viagem através do corpo, mente e espírito da mulher mais perigosa do planeta: Elektra Natchios.

Elektra Assassina 01

Ginasta e mestra em artes marciais, a ninja Elektra Natchios usa seu treinamento para derrotar o Tentáculo.

Na trama, após um breve passeio pelas raízes de Elektra (que menciona Matthew Murdock e Stick), a protagonista acorda em um pequeno país da América do Sul, chamado San Concepcion, convicta de que a Besta, líder da antagônica organização Tentáculo, possuiu Ken Wind, o candidato favorito à presidência estadunidense. Procurando deter o vilão, que planeja começar a 3ª Guerra Mundial ao disparar o arsenal nuclear dos Estados Unidos contra a União Soviética, Elektra deixa um rastro de cadáveres, assassinando inclusive policiais e um diplomata.

Entra em cena a S.H.I.E.L.D., representada pelos agentes especiais John Garrett e Arthur Perry. A instituição é descrita por Miller como corrupta e bagunçada, capaz de conduzir experimentos moralmente questionáveis e alistar criminosos entre seus operativos. Sendo assim, na agência de espionagem da ONU chefiada por Nick Fury, Garrett se torna um tipo de aliado e amante platônico de Elektra e Perry, no desenrolar da história, assume papel de grande importância.

Elektra Assassina 02

Poderosa, Elektra é capaz de parar uma bala na minissérie composta por 8 edições.

Cheia de mensagens subliminares e algumas cenas que não estão realmente acontecendo, Elektra: Assassina pode não ser uma leitura completamente acessível, pois requer certa familiaridade com as produções de Frank Miller. No entanto, o arco envolve, inova, surpreende pelas suas reviravoltas e valoriza a personagem Elektra Natchios.

O clássico Elektra: Assassina foi publicado entre 1986 e 1987, período em que a heroína ainda estava morta.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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