Ragnarok: Thor deixa de ser “prego” em filme que é uma martelada

Está escrito em Mjölnir – o martelo mágico de uru (metal originário de uma estrela em extinção) – que “aquele que for digno possuirá o poder de Thor”. E, sendo assim, aparentemente, o super-herói da formação clássica dos Vingadores ainda não havia sido merecedor de tal força. Porém, após Thor (2011) e Thor: O Mundo Sombrio (2013), o público, enfim, poderá ver o Deus do Trovão em seu auge com o lançamento de – (Thor: Ragnarok, EUA, 2017), novo filme da Marvel com estreia confirmada para 26 de outubro nos cinemas brasileiros.

Thor e Hulk têm seu confronto definitivo no Torneio dos Campeões. (Foto: Marvel)

Dirigido por Taika Waititi (O que Fazemos nas Sombras) e com roteiro de Craig Kyle (X-Men: Evolution), Christopher Yost (Os Vingadores – Os Maiores Heróis da Terra) e Eric Pearson (Agent Carter), o longa-metragem leva às telonas uma mistura das sagas de histórias em quadrinhos Ragnarok (1968 e 2004), Planeta Hulk (2006) e Torneio de Campeões (1982). Deste modo, na superprodução de 2h10 de duração, Thor (Chris Hemsworth, de Rush: No Limite da Emoção) é jogado diante da profecia que colocará fim ao reino de Asgard.

Retornando do exílio para tomar o trono, a Deusa da Morte tem seu poder extraído de Asgard. (Foto: Marvel)

Na trama, a falta de Odin (Anthony Hopkins, de Westworld) na proteção da cidade dourada dos deuses dá início a uma sequência de eventos que levará Asgard ao apocalipse, começando pela libertação da filha primogênita de Odin, Hela (Cate Blanchett, de Blue Jasmine), a Deusa da Morte, até a ascensão do demônio Surtur (voz de Clancy Brown, de Ave, César!). Sem seus maiores aliados, Thor embarca numa aventura multidimensional e interplanetária, na qual precisará encarar uma série de desafios para se reerguer e salvar seu povo da aniquilação.

Grão-mestre é irmão do Colecionador, introduzido em Guardiões da Galáxia. (Foto: Jasin Boland)

Destituído de tudo que lhe fora importante, o Príncipe de Asgard é lançado ao planeta Sakaar, cujo governante, o antigo ser conhecido como Grão-mestre (Jeff Goldblum, de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros), realiza combates entre gladiadores. É lá que Thor acha seu amigo Bruce Banner (Mark Ruffalo, de Spotlight: Segredos Revelados) – transformado em Hulk há 2 anos –, o irmão adotivo Loki (Tom Hiddleston, de Kong: A Ilha da Caveira), o Deus da Trapaça e a beberrona Valquíria (Tessa Thompson, de Creed: Nascido para Lutar), uma guerreira de elite de Asgard que, no lixão, atende por “Catadora 142”.

Primeira heroína negra do Universo Marvel, Valquíria conquista com sua personalidade forte. (Foto: Marvel)

Na abordagem arrojada do cineasta Taika Waititi, o terceiro capítulo da trilogia de Thor foge do lugar-comum, perdendo o tom de comédia romântica e épico medieval. Agora, o filho pródigo de Asgard torna-se um aventureiro canastrão numa provação total. Seguindo uma jornada de amadurecimento, o vingador deverá se encontrar como o líder de que sua nação necessita, além de desbloquear os verdadeiros poderes do Deus do Trovão. Hulk, por sua vez, é introduzido como o campeão de Sakaar e, pela primeira vez, pode ser visto em sua forma falante. Enquanto isso, Loki finalmente adota a imagem de anti-herói, sendo um membro importante do “Team Thor” na batalha contra Hela.

De fora da Guerra Civil, Thor também monta seu próprio time. (Foto: Marvel)

Em uma cruzada improvisada através do cosmo, Thor: Ragnarok percorre Asgard, Midgard (Terra), Muspelheim e Sakaar, recrutando os inéditos asgardianos Valquíria, a heroína decadente, e Skurge (Karl Urban, de Star Trek: Sem Fronteiras) – ou “Executor”, no Brasil –, o novo e corrupto guardião da ponte Bifrost, e os alienígenas Korg (interpretado pelo diretor Taika Waititi) e Miek – ambos do arco Planeta Hulk. Embora seja sentida a ausência de Lady Sif (Jaimie Alexander, de Blindspot), o filme volta com os Três Guerreiros – Volstagg (Ray Stevenson, de O Justiceiro: Em Zona de Guerra), Fandral (Zachary Levi, de Chuck) e Hogun (Tadanobu Asano, de 47 Ronins) – e Heimdall (Idris Elba, de A Torra Negra), assim como participação de luxo de Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch, de O Jogo da Imitação).

Transformado desde Vingadores: Era de Ultron, Hulk desenvolve a habilidade da fala. (Foto: Marvel)

Sem nunca se levar a sério, o longa investe num tipo de humor mais sujo do que a Marvel Studios está habituada a fazer – algo que funciona bem – e investe no colorido visual retrô e psicodélico do quadrinista Jack Kirby – adotando estética bastante semelhante àquela da franquia dos Guardiões da Galáxia. Uma explosão de ação, diversão e mitologia nórdica (até o lobo gigante Fenris aparece), Thor: Ragnarok fala de maneira muito descontraída sobre amadurecimento, família e renovação, e ainda prepara o Deus do Trovão para Vingadores: Guerra Infinita.

Sem Mjölnir durante 2/3 do filme, Thor aprende a controlar seu real poder. (Foto: Marvel)

Thor: Ragnarok tem 2 cenas pós-créditos, presenças de Stan Lee e do ator Matt Damon e easter egg de Bill Raio Beta.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.