Mulher-Maravilha (2011): Conheça a série de TV que nunca foi ao ar

Com um filme próprio recém-lançado nos cinemas, a Mulher-Maravilha quase se tornou personagem de uma série de televisão em meados de 2011. Diferente do clássico de 1975, estrelado por Lynda Carter, o programa do showrunner Jeffrey Reiner (The Affair) sequer foi exibido na TV, tendo gravado apenas um episódio piloto. Errática, a atração teve Adrianne Palicki (Agents of S.H.I.E.L.D.) como Diana Prince, Justin Bruening (A Nova Super Máquina) interpretando Steve Trevor e Elizabeth Hurley (Austin Powers: 000 – Um Agente Nada Discreto) na pele da vilã Veronica Cale.

Fugindo das origens da personagem criada por “Charles Moulton” (pseudônimo de William Moulton Marston), em 1941, o seriado apresenta “Diana Themyscira” como uma espécie de vigilante urbana, que combate o crime com violência pelas ruas da Califórnia (EUA) e comanda as Indústrias Themyscira. Deste modo, para financiar sua vida de justiceira, a moça marca presença no mundo dos negócios com a venda de bonecas da Wonder Woman, sob os conselhos do CEO Henry Johns (Cary Elwes, de A Princesa Prometida) e da secretária Etta Candy (Tracie Thoms, de Cold Case).

Além de desvirtuar a personagem, a série de 2011 trouxe a hiperssexualização da Mulher-Maravilha. (Foto: NBC)

Além de desvirtuar a personagem, a série de 2011 trouxe a hiperssexualização da Mulher-Maravilha. (Foto: NBC)

No capítulo, que ainda pode ser encontrado na internet, a Princesa Amazona está à caça de uma rede de distribuição de drogas que proporcionam força e velocidade sobre-humanas, suplemento que levou o calouro Willis Parks (B.J. Britt, de Agents of S.H.I.E.L.D.) à morte. Atribuindo a substância à indústria Farmacêutica Cale, a “Srta. Themyscira” declara uma guerra pública contra Veronica e com o sistema judicial, atraindo a atenção de políticos – como o Senador Warren (Edward Herrmann, de Gilmore Girls) – e da polícia, representada pelo detetive Ed Indelicato (Pedro Pascal, de Narcos).

Embora traga o Jato Invisível (que é visível!) e o Laço da Verdade (sem o seu poder original), a série distorce a essência da super-heroína da DC Comics nos quadrinhos e a apresenta como uma mulher intempestiva, que usa mais os punhos do que a inteligência e que não hesita em tirar a vida de seus inimigos. O programa ainda mostra a amazona vivendo disfarçada como Diana Prince, uma jovem garota solteira – após terminar um relacionamento com Steve Trevor –, cuja única companhia é o gato Sylvester e que está prestes a abrir uma conta no Facebook para socializar.

É difícil reconhecer a Mulher-Maravilha como a heroína bondosa vista nos quadrinhos. (Foto: NBC)

É difícil reconhecer a Mulher-Maravilha como a heroína bondosa vista nos quadrinhos. (Foto: NBC)

Mesmo com palavras como justiça e verdade, a série de TV encomendada pelo canal NBC em nada faz “justiça” à Mulher-Maravilha com um traje apelativo e desconfortável para Adrianne Palicki, sem exploração da mitologia grega e com a total subversão da personagem (a Mulher-Maravilha se irrita com choro de bebês e latidos de cachorros).

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado) em 2013 e fundador do Boletim Nerd. Realizou a cobertura da CCXP, Brasil Game Show e Campus Party e do lançamento de Logan, Mulher-Maravilha e Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

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