Demolidor: Épica, 3ª temporada registra queda e ascensão do Diabo da Guarda

A vida é feita de ciclos. Às vezes, estamos por baixo, porém, é só para podermos nos reerguer. Isso acontece comigo, com você e com Matt Murdock (Charlie Cox, de A Teoria de Tudo), o advogado e vigilante Hell’s Kitchen. Em seu retorno para a 3ª temporada de Marvel – Demolidor, o super-herói urbano ressurge com a necessidade de superar os eventos de Os Defensores assim como encarar novos e antigos adversários, em uma odisseia inspirada nos arcos de quadrinhos A Queda de Murdock e Diabo da Guarda.

Série original Netflix, a atração, criada por Drew Goddard (O Segredo da Cabana), volta ao streaming com 13 episódios, que põe o Demolidor e seu arqui-inimigo, Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio, de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros), em rota de colisão. Enquanto o Homem Sem Medo lida com a perda de seu grande amor – a ninja Elektra Natchios (Elodie Yung, de Deuses do Egito) –, o outro planeja ascender como Rei do Crime para governar a Cozinha do Inferno ao lado de Vanessa (Ayelet Zurer, de O Homem de Aço).

Demolidor precisa encarar seus maiores temores e os vilões Rei do Crime e Mercenário. (Foto: Netflix)

Construída em atos precisos, a trama acompanha Fisk em seu jogo para manipular a legislação e o próprio FBI, em um acordo que, de maneira obscura, visa apenas a retomada do gângster ao trono do crime organizado, transformando os oficiais da lei em seu exército particular para eliminar a concorrência – ou seja, outros mafiosos e traficantes. Simultaneamente, Murdock é acolhido em um abrigo da igreja, ficando aos cuidados da freira chamada de Irmã Maggie (Joanne Whalley, de Os Bórgias) e do padre Lantom (Peter McRobbie, de Ponte dos Espiões).

Embora o foco seja a fé abalada de Matt, o seriado, estrelado por advogados, discute os limites do que é certo e errado, usando como exemplo uma agência de investigação federal atuando à serviço de um criminoso e, por outro lado, um defensor disposto a assassinar o vilão para impedir que ele se sai impune novamente. Nas garras do “Kingpin”, o agente Ray Nadeem (Jay Ali, de Os Fosters: Família Adotiva) resiste indignado com a corrupção do sistema, à medida que Dex (Wilson Bethel, de Hart of Dixie) é influenciado para se tornar o assassino Mercenário.

Fisk envolve NY em uma rede de suborno e chantagens para retomar o trono de Rei do Crime. (Foto: Metflix)

Nesta temporada, Marvel’s Daredevil aproveita que o público já está familiarizado com as figuras centrais para explorar a fundo suas motivações e maiores receios, além de explorar o passado da repórter Karen Page (Deborah Ann Woll, de True Blood) e introduzir a família de Foggy (Elden Henson, de Efeito Borboleta). Por tornar as coisas tão pessoais, o programa se faz uma imensa fonte de tensão, pois o embate entre Demolidor e Rei do Crime gera sensação de perigo, que nos obriga a temer pelas vidas de personagens queridos.

Muito mais sombria do que anteriormente e contando com eletrizantes (e prolongadas) cenas de ação, a terceira temporada de Demolidor não é só o novo épico da Marvel, como uma análise sobre como o homem e suas criações são corruptíveis. E a série prova isso ao viajar até as origens de Matt Murdock e Benjamin Poindexter para mostrar que, diante de circunstâncias parecidas, poucas escolhas diferentes são capazes de levar pessoas a caminhos tão opostos.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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