Deadpool “Massacra” a mesmice em quadrinhos geniais e insanos

Graças a duas ótimas adaptações para o cinema, o mundo agora conhece o Deadpool. Sim, duas. Não estamos levando em conta a participação do personagem em X-Men Origens: Wolverine (2009). E, como ele mesmo deixou bem claro no final do filme de 2018 – cuja crítica do BN está aqui –, você também não deveria levar.

Dito isto, não era de se espantar que o sucesso do Mercenário Tagarela na telona trouxesse ao Brasil uma avalanche de HQs dele. Tem para todos os gostos. Das histórias mais clássicas às mais atuais, entre encadernados eventuais e séries mensais com revistas mais finas. Contudo, uma acabou se destacando mais: “Deadpool Massacra o Universo Marvel”.

A capa é marcante. Com um grande aviso parental de que o gibi não é indicado aos leitores mais jovens, o gibi vem com uma sinopse ousada, falando sobre um Deadpool psicopata decidido a colocar o universo da Casa das Ideias na sua mira, em uma genuína história de terror.

Achou que não teria história inteligente do Deadpool? Achou errado, otário!

Uma vez que a editora já flertou com o gênero – e muito bem –, como em Zumbis Marvel e no Especial Homem de Ferro: Vírus, pareceu uma boa ideia conferir o que de tão aterrorizante o roteirista Cullen Bunn e o desenhista Dalibor Talajic prepararam. E o resultado é um tiro certeiro que, inesperadamente, transborda inteligência.

Começa o massacre

A história começa com os X-Men levando Deadpool capturado para o Instituto Ravencroft a fim de livrá-lo de sua insanidade de uma vez por todas. Porém, a terapia dá errado e desencadeia outra personalidade no mercenário, que só tem interesse em matar todos os outros personagens do Universo Marvel.

E tudo isso por descobrir a aterradora verdade de que ele e todos que o cercam são personagens fictícios, que existem apenas para agradar a uma entidade externa, o leitor. Então, nada mais justo que o Comediante Carmim dê cabo de todo mundo e finalize essa piada de mau gosto. Afinal, ninguém nunca esteve vivo de verdade.

Você pensa que sabe o que é uma crise de identidade até ver Deadpool matando Deadpool.

O que temos é uma carnificina total, na qual Wade Wilson não poupa ninguém. Do Quarteto Fantástico até o Vigia, passando pelos X-Men, Vingadores e quem mais aparecer, seja herói ou vilão. Até finalmente surgir onde o leitor menos espera, para fechar o gibi com chave de ouro.

Não para por aí

E quando você pensa não dá pra fazer algo tão bem sacado quanto essa história, Cullen Bunn volta com outro volume ainda mais absurdo e genial: “Deadpool Massacra os Clássicos”. Desta vez acompanhado do ilustrador Matteo Lolli, o roteirista apresenta um Deadpool viajante do tempo para lançar sua ira sobre clássicos da literatura. O motivo: servirem de base para a criação de boa parte dos personagens da Marvel. Mas nem tudo é fácil para ele, pois, quem decide deter o mercenário deformado é ninguém menos que Sherlock Holmes.

Fora o maior detetive da história no seu encalço, Wade Wilson tem outra preocupação: quem matar na sequência? Ele próprio, claro. E é o que ele planeja no terceiro volume, “Deadpool Massacra Deadpool”, no qual Cullen Bunn finaliza a trilogia com ilustrações de Salva Espin. Mas nada é tão simples quanto parece.

Deadpool ataca Moby Dick! Sim, esse é o crossover mais ambicioso da história.

Ainda que o final deste último não seja tão imprevisível quanto das duas anteriores, a HQ encerra com maestria um dos arcos mais surpreendentes do Mercenário Tagarela. Uma prova de que, assim como no cinema, a total falta de senso do personagem aliada a um argumento inteligente, pode produzir uma série de histórias muito loucas e intensas, daquelas que você simplesmente precisa ler.

Deadpool Massacra o Universo Marvel (Parte 1)
Deadpool Massacra Os Clássicos (Parte 2)
Deadpool Massacra Deadpool (Parte 3)

Editora: Panini
Autoria: Cullen Bunn (roteiro) Dalibor Talajic, Matteo Lolli e Salva Espin (desenhos), Lee Loughridge e Veronica Gandini (cores)
Capa: dura
Lombada: quadrada
Páginas: 100 páginas (cada volume)
Formato: 26,6 x 17,2 cm
Lançamento:

1º volume – abril /2018
2º volume – julho /2018
3º volume – setembro /2018

Comentários
Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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