Capitão América: Guerra Civil mostra como deve ser um filme de luta de heróis

Com número recorde de super-heróis (são 12 ao todo) em uma produção em live-action, Capitão América: Guerra Civil chega para abalar o Universo Cinematográfico Marvel ao colocar Steve Rogers (Chris Evans, de Expresso do Amanhã) e Tony Stark (Robert Downey Jr., de O Juiz) em confronto. Baseado numa das maiores sagas dos quadrinhos da Marvel, o filme acerta nas improvisações (que são necessárias), exibe as melhores cenas de ação feitas até agora e apresenta uma versão espetacular do Homem-Aranha, interpretado por Tom Holland (O Impossível).

Dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo (ambos de Capitão América 2: O Soldado Invernal), o título abre a “Fase 3” da Marvel Studios com uma história levemente inspirada na máxissérie clássica das HQs, surpresas do começo ao fim e a elogiável capacidade de trabalhar com múltiplos personagens importantes. Desta maneira, em 2h27 de duração, o blockbuster mantém a identidade do último longa do Capitão América e vislumbra o que virá a seguir.

Capitão América: Guerra Civil não deixa de homenagear um cena clássica das HQs. (Foto: Film Frame)

Capitão América: Guerra Civil não deixa de homenagear uma cena clássica das HQs. (Foto: Film Frame)

Diante das opções possíveis no cinema, a obra usa eventos de Os Vingadores, Capitão América 2: O Soldado Invernal e de Vingadores: Era de Ultron, além de uma operação desastrada comandada pelo Capitão América em Lagos (Nigéria), como argumentos para virar o mundo contra os “Heróis Mais Poderosos da Terra”, culminando no Tratado de Sokovia. Tal medida obriga os superseres a revelarem suas verdadeiras identidades ao governo e também a se colocarem a serviço da Organização das Nações Unidas.

Enquanto o Capitão América recebe a nova lei como uma privação da liberdade, Tony Stark é motivado a acreditar que o registro é um mal necessário, opinião corroborada por diversos países (incluindo Wakanda) em uma reunião em Viena. Quando um ataque ao prédio da ONU, que causa a morte de políticos e diplomatas, é creditado ao Soldado Invernal (Sebastian Stan, de Perdido em Marte), tem início uma caçada ao suposto assassino e os heróis precisam escolher um lado.

Marvel's Captain America: Civil War Winter Soldier/Bucky Barnes (Sebastian Stan) Photo Credit: Film Frame © Marvel 2016

A aparição do Soldado Invernal (Stan) divide os Vingadores em dois grupos. (Foto: Film Frame)

Nisso, o Pantera Negra (Chadwick Boseman, de James Brown) é inserido, assumindo um papel semelhante ao do Homem-Aranha nos gibis, sem perder a fidelidade ao rei de Wakanda, em sua personalidade forte e técnicas de combate características. Outro estreante é o Homem-Aranha – recém-adicionado ao Universo Cinematográfico Marvel graças a um acordo com a Sony Pictures –, que rouba a cena numa carismática interpretação, junto de sua nova Tia May (Marisa Tomei, de O Lutador).

Apresentado em Capitão América: Guerra Civil, o Homem-Aranha será o preferido dos fãs. (Foto: Film Frame)

Apresentado em Capitão América: Guerra Civil, o Homem-Aranha será o preferido dos fãs. (Foto: Film Frame)

Por outro lado, diante de tantos acontecimentos, Capitão América: Guerra Civil consegue desenvolver cada um de seus personagens (apesar de esquecer completamente de Mercúrio), exibindo traços de suas histórias, poderes e limites. Além de esboçar uma aproximação entre Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen, de Godzilla) e Visão (Paul Bettany, de O Código Da Vinci), o filme constrói a relação conflituosa de Steve, Bucky (Stan) e Tony de forma inteligente e criativa, recorrendo a detalhes do retrospecto da Marvel nas telonas.

Como nos quadrinhos, Capitão América (Evans) e Homem de Ferro (Downey Jr.) divergem em ideais e valores. (Foto: Zade Rosenthal)

Como nas HQs, Capitão América e Homem de Ferro conflitam por seus ideais. (Foto: Zade Rosenthal)

Com isso, muito do que é visto no arco de gibis de Mark Millar e Steve McNiven não é mostrado nesta adaptação, devido às diferenças de dinâmica do cinema para as HQs, assim como a distribuição dos direitos de certos heróis e vilões entre vários estúdios. Assim, a Lei de Registro de Super-Humanos (substituída pelo “Tratado de Sokovia”), o incidente envolvendo os Novos Guerreiros e Nitro e a prisão erguida na Zona Negativa não chegam a ser abordados. Estas mudanças fazem com que Zemo (Daniel Brühl, de Bastardos Inglórios) ganhe uma leitura diferente e moderna, mas de função essencial para a condução de uma trama original.

Depois de ter suas cenas de pancadaria questionadas, a Marvel volta a ter, na direção dos Russo, sequências de batalha de proporções ainda maiores, coreografia e efeitos especiais caprichados e com o impacto esperado – a destacar as cenas no aeroporto, com a “gigante” participação do Homem-Formiga (Paul Rudd, de Eu Te Amo, Cara). Ao contrário de Vingadores: Era de Ultron, o longa conta com humor na dosagem certa (sempre longe dos momentos em contracenam Capitão América e Homem de Ferro), quebrando um pouco a tensão do conflito, pois são amigos em lados opostos.

O Tratado de Sokovia divide os Vingadores em dois grupos. (Foto: Film Frame)

Os Vingadores têm reações diferentes quando o Tratado de Sokovia é proposto. (Foto: Film Frame)

A produção ainda traz a melhor apresentação de Robert Downey Jr. como Homem de Ferro e a atuação admiravelmente à vontade do novato Tom Holland na pele do Homem-Aranha – que não só impressiona a Tony Stark, como também ao público. No geral, o elenco está confortável com seus respectivos papéis e Chadwick Boseman tem uma interpretação muito promissora do Pantera Negra, cujo filme solo está previsto para estrear em 2018.

O Pantera Negra (Boseman) tem participação ativa em Capitão América: Guerra Civil. (Foto: Film Frame)

O Pantera Negra (Boseman) tem participação importante em Capitão América: Guerra Civil. (Foto: Film Frame)

Preservando conceitos e alguns diálogos que remetem ao arco de quadrinhos principal e às suas inúmeras ramificações, Capitão América: Guerra Civil oferece aos fãs a oportunidade única de ver os maiores heróis da Marvel lutando entre si. Imperdível!

Capitão América: Guerra Civil tem duas cenas pós-créditos.

Capitão América: Guerra Civil estreia quinta-feira (28/04) nos cinemas.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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